Curitiba- Comprometimento, preparo psicológico, maturidade, envolvimento dos pais. Essas são algumas características que adolescentes interessados em fazer cirurgia de redução de estômago precisam apresentar a mais do que os adultos. É o que explica o médico norte-americano especialista em cirurgia de redução de estômago em menores de 18 anos, Thom Lobe. O médico está em Curitiba participando do II Congresso Internacional de Especialidades Pediátricas -Criança 2005, realizado pelo Hospital Pequeno Príncipe. Segundo o especialista, o procedimento e os riscos em adolescentes e adultos são os mesmos. O que difere em adolescentes é a postura que muitos têm depois da cirurgia.
Apesar de a obesidade infanto-juvenil no Brasil ainda não ser um problema tão alarmante quanto nos Estados Unidos onde 25% dos jovens até 18 anos estão acima do peso e pelo menos 15% estão obesos (os dados são de 2001) , Lobe diz que a cirurgia em adolescentes também já está sendo aplicada aqui. Em sua palestra para profissionais brasileiros ele apontou dois métodos: o lap-band, que é uma espécie de anel que se coloca na entrada do estômago, diminuindo o tamanho da passagem de alimentos, e o gastric bypass, que ''costura'' uma parte do estômago, dimuindo radicalmente o espaço para alimentos. Os dois são métodos já usados em adultos e, nos EUA, apresentam cerca de 2% de chance de morte do paciente.
Mas a principal diferença da cirurgia entre adolescentes e adultos é a consciência do paciente. Lobe afirma que só opera adolescentes que estejam comprovadamente comprometidos com a perda de peso e que saibam que o problema da obesidade não é meramente estético, mas sim as doenças que causa, como a diabetes, por exemplo. Por isso, o paciente tem que ter tentado perder peso por no mínimo seis meses e os pais precisam ser participativos e entender a importância da cirurgia para a saúde e não estética do filho. Além disso, quando o adolescente tem problemas psicológicos ou é dependente de alguma substância, a cirurgia não é recomendada. ''Nossa meta é fazê-los saudáveis'', destaca o médico.

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