Médico desvincula prática de religiões
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 29 de novembro de 2004
Simone Iwasso<br>Agência Estado 
São Paulo- Após anos de pesquisa e com resultados científicos em mãos, o médico ginecologista Roberto Cardoso, do Departamento de Obstetrícia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), elaborou uma definição conceitual da meditação, com o propósito de ensiná-la em ambulatórios e consultórios, desvinculada das religiões orientais às quais está mais popularmente associada.
''Estamos fazendo com a meditação hoje o que foi feito com a acupuntura há cerca de 15 anos, quando ela começou a ser pesquisada e incorporada pelos médicos. Pretendemos que a meditação venha para o arsenal terapêutico da medicina. E, para isso, foi preciso defini-la como técnica'', explica Cardoso. A definição será publicada no próximo exemplar da revista científica Brain Research.
''Em universidades estrangeiras, como Harvard, ela é pesquisada há cerca de 30 anos. No Brasil, estamos começando. Mas já sabemos que ela tem efeitos positivos nos distúrbios de ansiedade, na redução da pressão arterial e no tratamento de dores crônicas'', explica. Uma pesquisa ainda em curso, conduzida pelo médico, mostrou preliminarmente que grávidas que meditam também têm menores índices de estresse, tensão muscular e ansiedade.
''Pelas pesquisas, sabemos que a meditação tem capacidade de regular o eixo que produz esses hormônios do estresse e assim também regular funções como a pressão arterial'', completa. A universidade iniciou há pouco tempo uma pesquisa para saber como pessoas idosas com hipertensão reagem à prática da meditação. ''É uma técnica que, além de prevenir, pode evitar o uso de alguns medicamentos.''


