Médico brasileiro transmite cirurgia pela Internet
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domingo, 25 de abril de 1999
Por Gabriela Scheinberg, especial para a AE 
São Paulo, 26 (AE) - O médico brasileiro Randas Vilela Batista transmitiu hoje uma cirurgia de coração pela Internet, ao vivo, do Providence Seattle Medical Center, nos Estados Unidos. Usando uma microcâmera ligada a um capacete, Batista apresentou a técnica que criou, há 15 anos, e pela qual chegou a ser indicado ao Prêmio Nobel de Medicina. "Foi uma experiência interessante, mas, para mim, foi uma cirurgia normal", disse o médico.
A técnica, denominada Batista, é recomendada para pacientes que sofrem de insuficiência cardíaca aguda. Quando o coração não está funcionando de forma adequada, o órgão cresce para compensar a deficiência. Batista acredita que diminuir o tamanho do coração é a melhor forma de corrigir o problema. "Essa técnica não é milagrosa e deve ser usada em casos específicos", comentou Noedir Stolf, professor de cirurgia torácica e cardiovascular da Universidade de São Paulo (USP) e diretor da Divisão de Cirurgia do Instituto do Coração (Incor).
A primeira opção para corrigir insuficiência cardíaca ainda é o transplante de coração. No entanto, quando esse procedimento não pode ser realizado, a técnica de Batista é recomendada. "Esse procedimento ainda está sob avaliação", disse Stolf. Polêmica - Batista causou muita polêmica em fevereiro de 98, quando se demitiu do Hospital Angelina Caron, em Campina Grande do Sul (PR), depois de dez anos de trabalho. O médico acusou o hospital de cobrar de pacientes carentes depois de o governo ter pago a conta. A Assessoria de Imprensa do Angelina Caron informou que as denúncias são falsas e nada foi constatado pela comissão do Ministério da saúde que investigou o hospital na época.
Em decorrência do episódio - embora seja conhecido mundialmente pela autoria da técnica -, Batista não é professor de nenhuma universidade nacional nem pratica medicina em hospitais do País. Atualmente, ele leciona nas universidades do Texas e de Nova York. "Seria gratificante dar aula no Brasil, mas a mediocridade dos médicos impedem que alguém como eu faça parte da comunidade científica", criticou. Há um ano, ele criou a Fundação do Coração Vilela Batista, que está sem verbas para funcionar.


