São Paulo, 21 (AE) - Era mais um plantão do médico anestesista João Luiz Videira Garcia, de 67 anos. E tornou-se o mais difícil. Ele estava no 1.º andar do prédio, com um sanduíche e um refrigerante, quando foi avisado do incêndio. "Larguei tudo e subi correndo, sem pensar", conta ele, responsável pela retirada da maioria dos bebês vítimas do fogo na Maternidade-Escola Vila Nova Cachoeirinha.
No escuro, entrou na sala, desligou as incubadeiras das tomadas e empurrou carrinho por carrinho, até a luz apagar. Mas foi quando acabou a energia, no escuro e entre escombros, que Garcia teve de fazer o que considera uma das mais difíceis escolhas dos últimos tempos: saber qual das duas crianças que faltavam ser removidas ficaria lá, esperando outra ajuda.
"Alguma coisa emperrou; peguei um bebezinho e o deixei no melhor lugar possível, perto da água e no chão, longe da fumaça", contou. "Foi uma eternidade, muito traumatizante para mim." Emocionado, o médico lembrou, com felicidade, do momento em que o bombeiro e companheiro de resgate Eron Ernane Figueira, de 31 anos, apareceu com a criança no colo. "Antes disso, só ouvia ele gritando que queria sair; mas o bombeiro não via nada e não conhecia o hospital."
Amanhã (22), por determinação do prefeito Celso Pitta,. o Diário Oficial do Município trará uma menção honrosa para ele. Feliz pelo reconhecimento, ele insiste não ter sido heroísmo, mas um ato de cidadania.

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