Goiânia - O médico Denísio Marcelo Caron não é cirurgião plástico. É o que garantem a Comissão Nacional de Residência Médica (CNRM) e a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica. Nenhuma das entidades tem arquivado registro de diploma de residência médica em nome de Caron.
A denúncia foi publicada pelo jornal ‘‘O Popular’’, de Goiânia. O médico, de acordo com o jornal, não fez especialização no Hospital Mário Gatti, em Campinas (SP), como alega, apenas estágio de dois anos, o que não o habilita ao registro de cirurgia plástico no Conselho Regional de Medicina.
Mesmo assim, o CRM de Goiás aceitou inscrição dele como especialista, em 2000. Ainda hoje, a entidade o reconhece como tal, apesar de, em março de 2001, ter consultado a CNRM sobre a especialização do médico, após a morte de Flávia de Oliveira Rosa. Ela foi a terceira das cinco pacientes mortas em decorrência de cirurgia feita por Caron. Indiciado em Taguatinga por homicídio culposo pela morte da secretária Adcélia Martins, o médico será enquadrado por tentativa de homicídio contra a estudante Graziela Murta, que morreu ontem.
O médico Denísio Marcelo Caron passou pelo Hospital Municipal Mário Gatti, em Campinas (SP), de janeiro de 1994 a dezembro de 1996. O presidente da Comissão de Residência Médica da instituição, Sérgio Dias, informou que, nesse período, atuou como estagiário na unidade, e não como residente. Para ser residente, o candidato precisa fazer uma prova para ser admitido no curso e passa por avaliações de quatro em quatro meses. Depois de aprovado, recebe uma bolsa e tem de cumprir uma carga horária de 60 horas semanais. Já o estagiário não precisa fazer prova para ser admitido no curso nem recebe bolsa, mas também não é obrigado a cumprir o cronograma de atividades ou fazer as avaliações.
‘Fatalidade’ - ‘‘Sou inocente’’, garante Caron, apesar das cinco ‘‘coincidências fatais’’. De acordo com o médico, a primeira paciente teria morrido em razão de problemas cardíacos, a outra de embolia e infecção generalizada. Caron diz que irá provar sua inocência no caso da Adcélia – ele tenta responsabilizar um cardiologista da emergência do Hospital Anchieta de Brasília pela hemorragia que causou a morte da paciente. Quanto a Graziela, a acusa de não ter seguido as recomendações prescritas sobre alimentos, curativos e higiene. ‘‘Essa paciente não fez nada do que eu mandei’’, disse o médico, a caminho da 21ª Delegacia de Polícia.

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