Médico acusado pela morte de meninos nega crimes
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segunda-feira, 08 de setembro de 2003
Carlos Mendes<br> Agência Estado 
Belém - Acusado pelo Ministério Público de castrar e matar três meninos de Altamira, além de tentar assassinar outros dois menores que mesmo castrados sobreviveram, o médico da Fundação Nacional de Saúde Césio Caldas Brandão negou ontem no Tribunal do Júri, em Belém, sua participação nos crimes. ''Não conheço os outros acusados e sou inocente'', afirmou Brandão.
O agricultor Agostinho Costa, testemunha do processo, aponta o médico como o homem que ele viu saindo de um matagal com um facão sujo de sangue numa das mãos e um saco plástico com um objeto dentro na outra.
Dias depois, no mesmo local, foi encontrado o corpo de um dos meninos assassinados. ''Ele não me viu, porque nunca fui ao mato para caçar. Eu estava de plantão na Fundação de Saúde'', rebateu o médico.
Interrogado pelo juiz Ronaldo Valle, ele disse não se lembrar se também estava de plantão no hospital quando os crimes foram praticados. Mas reconheceu os objetos apreendidos em sua casa, entre eles uma baioneta e um medicamento indicado para distúrbios do sono. Sobre a baioneta, alegou ter recebido de presente de um colega.
O julgamento de Césio Brandão deve durar três dias. Nas duas sessões anteriores, o ex-policial Carlos Alberto dos Santos e o comerciante Amaílton Gomes Madeira foram condenados a 57 e 35 anos de prisão em regime fechado. O médico Anísio Ferrreira de Souza pegou 77 anos.
Entre as peças do processo foi lido, ontem, o depoimento do informante da Polícia Militar Edmilson Frazão. Ele contou que conhecia o médico Anísio Ferreira de Souza condenado na semana passada a 77 anos de prisão e foi por este convidado para um ritual em que os presentes usavam capas longas e pretas, rostos descobertos e faziam orações em linguagem desconhecida.
No dia em que esteve no culto, uma mulher com as características de outra acusada, a suposta vidente Valentina de Andrade, foi lhe apresentada pelo médico como sendo a líder da seita.
O juiz Ronaldo Valle negou ontem um pedido de revogação da prisão preventiva de Valentina de Andrade por ele decretada na semana passada. A líder da seita Lineamento Universal Superior (LUS) tentou fugir do País para escapar de seu julgamento, previsto para o próximo dia 22.


