Londrina- O estudante Alan Cleyton Fernandes, 12 anos, ficou ferido ao cair num portão de grade após tentar apanhar uma pipa enroscada numa árvore, no dia 29 de julho, perto da casa dele, no Conjunto Cafezal 2, na Zona Sul de Londrina. A ponta da grade entrou pela virilha e perfurou o intestino do garoto. Os machucados tiveram a recuperação acelerada com o tratamento com oxigenoterapia hiperbárica.
Depois de receber o atendimento de emergência, o garoto passou por cirurgia para costurar o ferimento e precisou usar bolsa de colostomia e sonda. Dias depois, foi encaminhado para o tratamento num centro de medicina hiperbárica particular da cidade. A última sessão aconteceu há duas semanas.
A auxiliar de cozinha Elisângela Fernandes, 34, mãe de Alan, disse que a previsão é que ele volte para a escola em dois meses. ''A recuperação está sendo muito boa. Ele não reclama de dor nenhuma'', destacou.
A sessões são na câmara hiperbárica, equipamento que funciona há um ano em Londrina e assemelha-se a um submarino. A terapia consiste na permanência em condições diferenciadas de pressão por uma média de duas horas.
De acordo com uma resolução do Conselho Federal de Medicina, a oxigenoterapia hiperbárica possui diversas indicações. As principais são embolias gasosas, doenças descompressivos, traumas de tórax, infecções de osso, envenenamento por gás carbônico e inalação de fumaça ou cianeto.
''As principais vantagens são a redução do tempo de internação em enfermaria ou UTI e do uso de antibióticos, além do bem estar do paciente'', apontou o cirurgião geral e especialista em medicina hiperbárica Emanuel Góis Júnior.
A terapia também é indicada como tratamento complementar para lesões por esmagamento ou radiação, reimplante de extremidades amputadas, queimaduras, enxertos, entre outros casos. A indicação é feita de acordo com protocolos internacionais.
De acordo com Góis, existem hoje cerca de 70 serviços no País. Londrina e Curitiba são as únicas cidades do estado a contar com equipamentos de medicina hiperbárica. O custo por sessão é de aproximadamente R$ 300,00. Atualmente, a Sociedade Brasileira de Medicina Hiperbárica está discutindo a inclusão do tratamento na Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) e no Sistema Único de Saúde (SUS). A Santa Casa também está investindo na construção de câmaras hiperbáricas, que devem ficar prontas em 90 dias.

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