Cerca de 70 médicos ligados à 20 universidades brasileiras estão em Londrina aprofundando conhecimentos sobre o novo método pedagógico do curso de medicina da Universidade Estadual de Londrina (UEL), que desde 1998 adotou o aprendizado baseado em problemas, modelo concebido na Holanda e adaptado à realidade brasileira pela instituição londrinense.
Eles estão participando do curso Como Construir um Currículo Inovador – Aprendizado Baseado em Problemas – promovido pelo Centro de Ciências de Saúde da UEL. O encontro começou domingo e reúne até amanhã profissionais de várias especialidades.
Segundo o coordenador do curso, o ex-reitor João Carlos Thompson, o objetivo é difundir uma alternativa aos currículos tradicionais dos cursos de medicina. ‘‘Quando optamos por este modelo nossa intenção era avançar, modernizar nosso currículo. Mexemos em um time que estava ganhando para ele continuar ganhando’’, compara Thompson.
As principais inovações do currículo são a busca de uma participação mais ativa do estudante (que tem que solucionar com criatividade problemas práticos prospostos pelo professor), o aprendizado global desde o início, unificação do ensino da ciência básica e da ciência clínica, além da humanização na relação médico e paciente. Outra novidade é o uso de dezenas de bonecos que, apesar de não substituir totalmente os cadáveres, facilita e dá mais precisão às atividades práticas.
O novo modelo está sendo apresentado nas mais diferentes regiões do País. A UEL já tem informações que alguns vestibulando passaram a escolher a instituição em busca de uma formação inovadora. ‘‘Se fosse começar ou implantar um curso de medicina hoje adotaria, com certeza, um currículo baseado no aprendizado a partir de problemas práticos’’, revela o nefrologista Marcus Gomes Bastos, da Universidade Federal de Juiz de Fora (MG).
Cléber Mroninski, professor da área de saúde pública do curso de medicina da Universidade do Extremo Sul Catarinense, com sede em Criciúma, também está participando do evento e aprimorando os conhecimentos que já o ajudaram a implantar o novo currículo em sua universidade. ‘‘O principal trunfo do aprendizado baseado em problemas é que ataca a desatualização do profissional, um problema sério na medicina brasileira’’, diz o professor.

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