Medicina antroposófica foca o doente
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segunda-feira, 06 de dezembro de 2010
Mônica Pestana<BR> Agência Estado 
São Paulo - Uma gastrite não tem tratamento fechado quando se trata da medicina antroposófica. Se atendo duas pessoas, uma pode simplesmente ter comido algo que fez mal, mas na outra a doença pode estar relacionada a problemas emocionais. Em uma consulta tradicional elas seriam tratadas da mesma forma, exemplifica o clínico geral antroposófico Nilo Gardim, de São Paulo. Para descobrir tantas particularidades, o profissional usa um tempo ampliado de consulta: cerca de uma hora e meia, o suficiente para investigar, além de sinais clínicos, vivências emocionais e espirituais.
Foi em busca de um atendimento mais personalizado para os filhos que o advogado André Gabriel Hatoun Filho, 39 anos, e a professora Beatriz Tamassia Minozzi, 34, chegaram à medicina antroposófica. O ponto de partida foi a adenoide do caçula Fábio, 6. Queria algo interativo, que respeitasse mais o ser humano, sem a ideia de uma demanda cultural voltada somente para o mundo econômico, conta Hatoun, que também é pai da menina Naia, 11.
A linha antroposófica é conhecida no Brasil principalmente por causa da pedagogia Waldorf, seu braço escolar. Agora também o aspecto médico ganha força. Neste ano, o Ministério da Saúde está cadastrando pesquisadores que atuam com a medicina antroposófica, reconhecida como prática médica desde 1993.
Segundo o médico Ricardo Ghelman, a clínica antroposófica pode ser definida como medicina complementar e integrativa de origem humanista. Trabalhamos o conceito de que o ser humano tem o corpo, a psique e a individualidade. Na medicina tradicional, a individualidade fica para trás, explica o especialista.
Uma forma integrada que una o humanismo e tecnologia é uma das metas dos profissionais brasileiros. Em países como a Alemanha há grandes hospitais antroposóficos, do tamanho de um Albert Einstein. Esse formato ainda é um sonho no Brasil, mas as pesquisas e o interesse têm aumentado, completa.
Segundo Ghelman, há antroposóficos em quase todas as especialidades médicas: ginecologia, reumatologia, cardiologia, pneumologia, psiquiatria e oncologia são algumas delas. A Associação Brasileira de Medicina Antroposófica (ABMA), por exemplo, já expediu certificados para cerca de 300 médicos.
A proposta de uma compreensão do indivíduo de maneira ampla é sustentada por três áreas diferentes: a da individualidade (que consiste na terapia biográfica com a finalidade de promover autoconsciência); a da psique (tratada por psicólogos e também por arteterapeutas) e a área somática (na qual atuam especialistas de várias áreas, tais como nutrição, farmácia, enfermagem).
Os medicamentos são produzidos em farmácias antroposóficas e são obtidos na natureza, a partir de sustâncias minerais, vegetais ou animais. Antibióticos ou outras categorias de medicamentos sintéticos são usados apenas em situações emergenciais, quando o organismo não dispõe de forças ou de tempo suficiente para promover uma relação de equilíbrio.


