Médicas cubanas iniciam atividades em Cambé
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quarta-feira, 13 de novembro de 2013
Marian Trigueiros<BR>Reportagem Local 
Cambé - Duas médicas cubanas do Programa Mais Médicos começaram a trabalhar ontem em Cambé (Região Metropolitana de Londrina). Ambas passaram por treinamento para conhecer a rede municipal de saúde e os protocolos do Ministério da Saúde. A dupla vai atuar no Programa Saúde da Família (PSF), além de fazer atendimento em Unidades Básicas de Saúde.
Se o fato é comemorado pela população, por outro lado parece ter gerado um certo desconforto na comunidade médica. O motivo é que, de acordo com levantamento da reportagem, pelo menos dois profissionais contratados foram avisados na última sexta-feira que serão dispensados no final deste ano.
Uma das médicas estrangeiras está atuando na mesma unidade em que trabalha um dos profissionais notificados. Segundo o médico Antonio Gontijo, que está há um ano e dois meses trabalhando no PSF em esquema de contrato, seu pagamento é realizado por dia trabalho. "Estou todo esse tempo esperando abrir a vaga do concurso público que, segundo a Secretaria de Saúde, sairia este ano. Mas agora recebi essa notícia de que serei dispensado. Pelo que estamos percebendo nossas vagas estão sendo substituídas pelos médicos do programa, pois o município requereu mais profissionais", desabafou.
O objetivo do Programa, que tem subsídio do governo federal, é levar médicos onde há carência de profissionais. De acordo com Gontijo, essa não seria a situação de Cambé. "Médico querendo trabalhar aqui não falta. Assim como eu, outros tinham a intenção de serem efetivados no município e continuar o trabalho desenvolvido na comunidade. Criamos um vínculo com os pacientes que será totalmente rompido", apontou. O outro médico dispensado teria sido afastado da unidade em que trabalha e estaria cumprindo expediente em locais nos quais há "buracos" nas escalas.
Enquanto isso, a secretária municipal de Saúde, Alessandra Garcia Vaz, rebate as informações e garante que "nenhuma vaga do município será preenchida por médicos do programa". "Acreditamos que o concurso seja anunciado ainda este ano. Mas, ao contrário do que dizem, temos dificuldades, sim, em conseguir médicos para essas vagas. Muitos não assumem e ficamos sem profissionais", explicou.
Adaptação
Ainda se acostumando com a língua e o prontuário brasileiro, a médica Hilda Yanes Domíngues já fez os primeiros atendimentos ontem. "O modelo do PSF é muito antigo em Cuba e eu trabalhava nesse sistema lá. É uma estratégia que aproxima o médico da comunidade e o ajuda a melhorar a saúde da comunidade", comentou ela, que exerce a profissão há 23 anos e trabalhou durante dois anos na Venezuela. Os sete médicos cubanos que já estão em Londrina devem começar a atuar no próximo dia 18, pois ainda estão em treinamento e aguardam liberação do Ministério da Saúde.


