Medicamentos terão novo aumento
São Paulo, 30 (AE) - A Associação Brasileira da Indústria Farmacêutica (Abifarma) anunciou hoje que 88,4% dos medicamentos serão, a partir de amanhã, reajustados em até 3%. O acordo foi feito entre a Secretaria de Acompanhamento de Preços do Ministério da Fazenda e os dirigentes das indústrias. O reajuste é consequência do aumento do preço das matérias-primas e dos insumos nacionais, provocado pela desvalorização do real.
Este é o segundo, de uma série de três repasses, que incidirão sobre os medicamentos. O primeiro, que elevou em média 3% o valor dos remédios, foi feito em junho. O próximo reajuste ocorrerá em agosto e ainda não há previsão sobre o valor.
O acordo, entretanto, é o segundo feito só este ano entre a indústria e o Ministério da Fazenda para aumentar o preço dos remédios no País. No acordo anterior, o preços foram elevados também em três etapas: março, abril e maio. A indústria conseguiu o reajuste sob a alegação de que os efeitos da variação cambial - provocados pela crise do real - aumentaram os custos da matéria-prima e dos materiais importados prontos, usados na produção dos remédios. A cada mês os medicamentos ficam mais caros.
Pesquisa - Para fazer o reajuste, a Abifarma tomou como base os cem medicamentos mais vendidos no varejo, que representam 42% do mercado brasileiro. Após a pesquisa, foi elaborada uma tabela sobre as variações do reajuste e como ocorrerá a divisão. De 88,4% dos medicamentos, 17,6% sofrerão reajuste de até 1%; 26,2% terão aumentos entre 1,01% e 2% e 44 6% aumentarão de 2,01% a 3%. Os 11,6% restantes terão reajuste acima de 3%.
Os aumentos variam para cada laboratório. Nas reuniões entre o ministério e os fabricantes, cada dirigente anunciou quanto seria necessário de aumento para cobrir os custos com produção dos medicamentos. Por isso, o reajuste não atingirá da mesma forma os remédios que têm o mesmo princípio ativo.
Consumidor - O aumento dos preços deve atingir, num primeiro momento, e em maior proporção, os consumidores comuns e os usuários constantes de medicamentos. A Secretaria da Saúde do Estado de São Paulo informou, por meio da Assessoria de Imprensa
que o reajuste não causará impacto na rede, pois os remédios são comprados diretamente do fabricante, após um processo de licitação.
A compra segue a Ata de Registro de Preços, em que o fabricante se compromete a fornecer o produto durante um ano pelo mesmo preço. Além disso, como a compra é feita em grande quantidade, o valor é menor que o de mercado. A secretaria, no entanto, ainda não sabe qual será o impacto nos próximos meses, quando vencem os processos antigos.
O Hospital das Clínicas (HC) de São Paulo, o maior da América Latina, ainda não quantificou o impacto do reajuste. Atendendo em média 3,5 mil pessoas por dia no ambulatório, o HC compra os medicamentos também por licitação e vence a empresa que traz o melhor preço.
O Ministério da Fazenda confirmou o acordo feito com a Abifarma, mas ressaltou que as indústrias farmacêuticas terão dez dias para informar seus novos preços. A partir daí, eles serão analisados caso a caso.
O deputado Nelson Marchezan entrou hoje com um pedido de formação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o reajuste de medicamentos, materiais hospitais e insumos de laboratório. O deputado justifica que pesquisas da Associação de Hospitais de Minas Gerais constataram que, entre dezembro de 1998 e fevereiro de 1999, os medicamentos ficaram 46% mais caros.Por Juliana Junqueira ATENÇÃO EDITORES: Essa retranca acrescenta novas informações





