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Londrina

DESABASTECIMENTO

m de leitura Atualizado em 24/05/2022, 18:08

Medicamentos em falta geram preocupação no Paraná

O CRF-PR aponta que a falta de insumos aliada ao lockdown na China culminou na crise de abastecimento

PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 23 de maio de 2022

Vítor Ogawa - Grupo Folha
AUTOR autor do artigo

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O CRF-PR (Conselho Regional de Farmácia do Estado do Paraná) aponta que a falta de insumos aliada aos problemas de lockdown na China e o direcionamento de fábricas para remédios contra doenças respiratórias durante a pandemia de Covid-19 culminaram em uma crise de abastecimento de 42 medicamentos em território paranaense. Em Londrina, o problema já está afetando a prescrição deles e a lista pode ser até maior do que a divulgada.

Em Londrina, o problema já está afetando a prescrição de ao menos 42 medicamentos e a lista pode ser ainda maior Em Londrina, o problema já está afetando a prescrição de ao menos 42 medicamentos e a lista pode ser ainda maior
Em Londrina, o problema já está afetando a prescrição de ao menos 42 medicamentos e a lista pode ser ainda maior |  Foto: Gustavo Carneiro
 

Gustavo Pires, conselheiro federal pelo Paraná e diretor secretário feral do CFF (Conselho Federal de Farmácia pelo Estado do Paraná) ressalta que os maiores fornecedores de insumos hoje são China e Índia. “Há dois meses começamos a receber relatos sobre as dificuldades com certos tipos de medicamentos. Há dificuldades de reposição”, destaca. 

“O Ministério da Saúde e a Anvisa [Agência Nacional de Vigilância Sanitária] foram comunicadas da falta de imunoglobulina e a Anvisa autorizou a importação direta emergencial do produto acabado, mas o fim da crise depende do controle da pandemia da China e a importação de insumos depende da capacidade da indústria nacional atender essa demanda.”

Pires reforça que as cirurgias que ficaram represadas durante a pandemia foram retomadas e também aumentaram a exigência. “Com isso a indústria vem tendo dificuldade de atender tudo e estimo que leve de 3 a 6 meses para resolver, isso se a China abrir os portos.” 

Da relação apontada pelo CRF-PR, a diretora comercial da Rede Vale Verde de Londrina, Ana Carolina Augusto Correa, afirma que enfrenta falta de soro fisiológico entre outros medicamentos.

“A substituição do medicamento de referência pelo seu genérico é assegurada por testes de bioequivalência apresentados à Anvisa. A substituição pode ser realizada pelo farmacêutico responsável, desde que o médico tenha prescrito o medicamento pela denominação genérica, ou seja, pelo nome do princípio ativo. No caso de medicamentos isentos de prescrição, o farmacêutico pode fazer a devida orientação, respeitando o tratamento sugerido.”

Ela explica que medicamento genérico é aquele que contém o mesmo princípio ativo, na mesma dose e forma farmacêutica, é administrado pela mesma via e com a mesma posologia e indicação terapêutica do medicamento de referência, apresentando eficácia e segurança equivalentes ao de referência podendo ser intercambiável. “Além disso, algumas opções de medicamentos também podem ser manipuladas”, destaca Correa.

Segundo ela, alguns tratamentos possuem mais de uma opção de medicamentos compatíveis, mas é extremamente importante que, na falta dos medicamentos, o médico seja consultado, afim de não haver impactos na solução sugerida.

A chefe da Divisão de Farmácia do HU de Londrina, a farmacêutica Sirlei Zanluchi Donega, afirma que as faltas são nacionais, mas o HU realizou compras por licitação. “Como fizemos com bastante antecedência e temos contrato de fornecimento, essa escassez ainda não chegou a prejudicar significativamente. É uma crise grande e não sabemos até quando os laboratórios vão honrar o contrato conosco, mas é preocupante”, diz.

Donega explica que consegue suprir a falta de alguns medicamentos substituindo por outros da mesma classe.  E que até o momento não faltou soro fisiológico. “Essas empresas que vendem o soro de uma maneira geral quando tem contrato de órgão público priorizam esses contratos. Mas isso é para esse ano. Ano que vem pode faltar”, ressalta.

A assessoria da Iscal (Irmandade da Santa Casa de Londrina) ressalta que alguns dessa lista são da linha de farmácia. “Os da linha hospitalar - alguns a equipe de compras está com muita dificuldade para encontrar. E alguns estão em falta no mercado. Os que estão em falta, na Santa Casa estão sendo substituídos por outros”, destaca a assessoria. A Secretaria Municipal de Saúde não deu retorno aos pedidos de entrevista.

A Sesa (Secretaria de Estado da Saúde) respondeu por meio da seguinte nota: "A Secretaria de Estado da Saúde do Paraná (SESA/PR), por meio do Centro de Medicamentos do Paraná (Cemepar), realiza aquisição de 16 dos 42 medicamentos listados pelo Conselho de Farmácia para abastecimento exclusivamente da rede hospitalar própria sob gestão direta da SESA/PR, considerando o elenco padronizado para atendimento dessas unidades. Dos 16 medicamentos adquiridos para atendimento hospitalar, 3 estão em falta e sendo substituídos por outras opções terapêuticas.

Esclarecemos que a SESA/PR recebe do Ministério da Saúde o medicamento Imunoglobulina Humana para atendimento dos pacientes cadastrados no Componente Especializado da Assistência Farmacêutica (CEAF) e seu fornecimento está regularizado. O medicamento Mesalazina 250mg é adquirido pela SESA também para atendimento dos pacientes cadastrados no CEAF e a Secretaria não enfrenta dificuldades de aquisição.

Ressaltamos que a SESA/PR não adquire os referidos medicamentos para distribuição nas Unidades Básicas de Saúde e Unidades de Pronto Atendimento, que ficam a cargo da gestão municipal.

O Conselho Nacional de Secretários de Saúde (CONASS) está realizando um levantamento junto às SES sobre dificuldades de aquisição que possam estar relacionadas a falhas de mercado para realizar tratativas junto aos órgãos competentes."

(Matéria atualizada às 18h27 do dia 24/5 para inclusão de nota da Sesa)

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