Um medicamento utilizado no tratamento contra o câncer de mama será produzido no Paraná e ofertado pelo governo federal por meio do SUS (Sistema Único de Saúde). A parceria entre a companhia suíça Roche, o Tecpar (Instituto Tecnológico do Paraná) e a empresa brasileira Axis Biotec vai viabilizar a transferência de tecnologia para a fabricação nacional do Trastuzumabe. Com isso, pacientes que antes só conseguiam ter acesso ao medicamento por meio de processos judiciais poderão antecipar o início do tratamento.

Conforme o diretor-presidente do Tecpar, Júlio César Félix, o produto começará a ser fornecido ainda neste ano. "O processo de transferência de tecnologia é longo. A transferência total se dará em até dez anos. No começo, o produto chega pronto, depois embalamos, vamos criando conhecimento e construindo a fábrica até 100% da transferência. A cada ano vamos acumular mais competências", explicou.

Ao final do processo, o instituto do Paraná, que fica responsável pela mão de obra especializada, deve fornecer mais de 100 mil doses por ano, o que corresponde a 40% da demanda do SUS. O restante será produzido pela Fiocruz e pelo Instituto Butantan. O acordo faz parte do programa de Parcerias para o Desenvolvimento Produtivo, lançado pelo Ministério da Saúde.

"A vantagem é a disponibilidade do produto imediatamente para os usuários do SUS", ressaltou Félix. Segundo ele, a parceria não terá custos para o governo do Estado. A empresa nacional Axis Biotec será a responsável pela construção da fábrica e a compra de equipamentos. O investimento total é estimado em US$ 150 milhões.

Para a integrante da coordenação de projetos da Abraccia (Associação Brasileira de Combate ao Câncer Infantil e Adulto), Eduarda Bestetti, a iniciativa é de extrema importância para os pacientes em tratamento, já que mesmo os remédios que fazem parte da lista do SUS não são ofertados de forma constante. "Quando falta o medicamento, o paciente fica em apuros. É um tratamento que não pode ser interrompido de maneira alguma. Toda vez que você interrompe, na hora de retomar, é como se você tivesse recomeçando do zero. Por isso existem tantas organizações de combate ao câncer, porque nessa hora em que o Estado falha, as associações entram em cena", afirmou.

Há 20 anos, a associação com sede em Ribeirão Preto (SP) fornece medicamentos e assistência a pacientes de todo o País com a ajuda de doações. O apoio é dado apenas a quem é encaminhado por hospitais que já realizam o tratamento. Conforme Bestetti, há medicamentos que custam até R$ 1 mil por mês. Por conta dos valores e das falhas no SUS, muitos casos são judicializados. "A partir do momento em que o paciente começa a receber a dieta ou medicação ou qualquer outro item solicitado na Justiça, a gente para com esse atendimento a ele e começa a atender uma outra pessoa que também está precisando", comentou.

Bestetti disse esperar que a medida traga mais celeridade para o início dos tratamentos. "A produção nacional ou até a cessão de patente é importante porque tem situações muito graves. O câncer, como é silencioso e muitas vezes tem evolução lenta, só vai apresentar sintomas na fase terminal. As pessoas acham que podem esperar. Mas, quando o tratamento começa na fase inicial da doença, a chance de cura é de 90%", lembrou.

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