A médica especialista em Medicina do Trabalho do SESMT/UEM (Serviço de Medicina e Segurança do Trabalho da Universidade Estadual de Maringá) Mia Nariai desconhece as condições de trabalho dos profissionais do Samu em Londrina, mas, de forma geral, ressalta que funcionários que exercem atividades de atendimento emergencial em situações nas quais as decisões e atitudes devem ser precisas, que fazem diferença para salvar vidas, devem ter a saúde física, mental e emocional preservada, por meio de exames ocupacionais periódicos.

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O equilíbrio emocional, lembrou Nariai, é importante para evitar doenças mentais. "A Síndrome de Burnout ou esgotamento profissional é um exemplo de transtorno psíquico que ocorre devido a condições de trabalho físicas, emocionais e psicológicas desgastantes mais o envolvimento interpessoal direto e intenso exigido pela profissão", destacou a médica.

Em relação ao ambiente inadequado de trabalho, Nariai sugeriu uma verificação da Vigilância Sanitária ou Ministério do Trabalho. Segundo a Vigilância Sanitária em Londrina, o órgão "não tem a rotina de fazer fiscalização em serviço próprio" e essa fiscalização nunca foi solicitada pelo Samu.

A diretora de Saúde Ocupacional da Caapsml (Caixa de Assistência, Aposentadoria e Pensões dos Servidores Municipais de Londrina), Liz Rodrigues, informou que o setor segue um cronograma para elaboração do PPRA (Plano de Prevenção de Riscos Ambientais), que é feito anualmente. "Fazemos as orientações nos setores responsáveis e, de 12 em 12 meses, são feitas visitas e fiscalizações", afirmou. "O PPRA está em andamento no Samu, está pendente de informações. Estamos esperando."

As visitas são feitas por uma equipe técnica composta por profissionais de diversas áreas. "Os técnicos coletam informações e atualizam o PPRA. O que foi acatado é dado baixa e o que não foi, é pedido que sejam feitas melhorias", explicou Rodrigues. A diretora disse, no entanto, que os apontamentos feitos em anos anteriores a respeito do Samu não podem ser divulgados por não serem informações públicas. "É importante que a pessoa que fez a denúncia (à FOLHA) passe para a gente essas situações", orientou.

A gerência do Samu disse que questionamentos a respeito das condições de trabalho dos funcionários não estão sob sua competência.

No Ministério do Trabalho em Londrina, o gerente regional, Dorival Arantes, informou não ter registros de denúncias referentes ao Samu e que as fiscalizações espontâneas são inviáveis em razão do número pequeno de auditores, que têm de atender 102 municípios da região. Mas ressaltou que qualquer funcionário pode fazer a denúncia diretamente ao órgão, de segunda a sexta-feira, a partir das 13 horas. O nome do denunciante é mantido em sigilo.

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