Médica faz tratamento para dormir
Curitiba- Dormir mais de oito horas, por dia, não era suficiente para que a médica recém-formada Sabrina Coêlho, de 25 anos, acordasse descansada e bem disposta. ''Pelo contrário. Apesar de dormir em excesso, eu sempre estava com sono, fadiga e cansaço o dia inteiro, além de ficar irritada. Cheguei a procurar um pneumologista suspeitando que sofria de apnéia, porque respirava pela boca. Aí ele indicou um exame do sono'', relata ela, que começou a sofrer de privação do sono cinco anos atrás.
''O exame, feito durante uma noite no laboratório, mostrou que meu sono era superficial e que eu não chegava ao sono REM (movimento rápido dos olhos). Por pura ansiedade eu não conseguia relaxar na hora de dormir. Meu laudo indicou, inclusive, que eu chutava muito durante o sono'', conta a jovem. Há dois anos ela faz acompanhamento com especialista em medicina do sono, em Curitiba, tratamento com antidepressivos e se esforça para disciplinar o sono: dormir até as 23 horas e acordar às 6h30.
''A rotina é muito corrida e estudante de Medicina faz tudo errado, estudando à noite e fazendo plantão. Agora procuro deitar na cama só quando tiver sono e não deixar a televisão ligada. A proposta é fazer um horário padrão'', explica Sabrina. Hoje, ela confessa ter uma qualidade de sono melhor. ''É incrível, quando a gente não dorme direito e não chega ao sono profundo, não sonha. E eu voltei a sonhar'', comemora ela, confessando conseguir dormir bem e sem remédios durante as férias.
A psquiatra e neurofisiologista Gisele Ritcher Minhoto, que possui um laboratório do sono em Curitiba, desde 1997, reforça que o tratamento, na maioria das vezes, é a orientação. ''As pessoas devem tentar mudar os padrões incorretos do sono. Se a privação do sono é crônica, acontece há meses, pode procurar um médico para reaprender a dormir no horário certo'', esclarece. A especialista diz que também são indicados medicamentos.
Em alguns casos, a médica recomenda o exame de sono chamado polisonografia, que faz um diagnóstico a partir de vários parâmetros do sono, registrados por eletrodos ligados ao paciente que dorme uma noite no laboratório. ''As pessoas estão começando a ficar alertas sobre a importância do sono, até porque o conhecimento da medicina do sono é algo novo, começou em 1976 nos Estados Unidos'', informa.(F.G.)





