São Paulo, 07 (AE) - A médica M.N.S, de 30 anos, vítima de um estuprador ficou procurando por ele durante 17 dias. Fez o mesmo trajeto e horário da noite em que foi atacada. Não desistiu e numa manhã de domingo cruzou com o carro do homem que a violentara. Ela anotou a placa do veículo e procurou a polícia. Hoje pela manhã o administrador de empresas Mauro Lopes
de 41 anos, casado, dois filhos, foi preso. Lopes confessou o estupro da médica, de outras duas mulheres em Guarulhos e é suspeito de ter violentado mais cinco em Pinheiros, em São Paulo.
A médica disse ao delegado Edson Santi, responsável pela prisão, que Lopes "não pode e não deve ficar em liberdade". Na noite de 9 de setembro, a médica dirigia seu Astra na Rodovia Presidente Dutra. Chovia e na entrada de Guarulhos ela foi alertada pelo motorista de um Pálio cinza que o pneu traseiro de seu carro estava murcho. Ela parou no acostamento e o Pálio também parou. Dizendo que estava armado e se resistisse a mataria, Lopes obrigou a médica a entrar no Pálio.
Com uma fita adesiva vendou os olhos e a levou para um terreno na Rodovia Fernão Dias, onde a estuprou. "Ele perguntou o que ela fazia e ao saber que era médica a avisou de que não precisava se preocupar porque não era doente e não iria contaminá-la.", contou o delegado. M. foi deixada pelo administrador de empresas na Dutra com a Fernão Dias. Ela telefonou para o namorado e em seguida para a polícia.
Havia gravado apenas a letra V e o número 4 da placa do Pálio: CSV-4857. Na noite seguinte a médica começou a repetir o trajeto da clínica onde trabalha, em São Paulo, até Guarulhos, onde mora. Foram 17 dias e ela acreditava que iria encontrar o estuprador. Na manhã do dia 26, um domingo, a caminho da casa do namorado e rodando pela Fernão Dias, viu um Pálio cinza. Ao ultrapassar olhou para o motorista e reconheceu Lopes. "Ele estava com a mulher e um filho e ficou olhando para mim." Então anotou a placa do veículo.
Durante alguns dias esperou que policiais civis de Guarulhos conseguissem localizar o dono do Pálio. Como não obteve resposta, foi levada por um amigo para a 2.ª Delegacia, da Divisão de Crimes Contra o Patrimônio. O delegado Santi consultou o Detran e conseguiu o endereço do proprietário do carro. Hoje pela manhã os investigadores e a médica ficaram perto da casa de Lopes à espera de sua saída para o trabalho. Assim que ele passou, M. reconheceu Lopes. Ele foi preso e confessou o crime e outros dois estupros no Depatri .
Lopes alegou que na noite de 9 de setembro bebera três doses de vodca e quando bebe não consegue se controlar. Ao passar pela médica resolveu estuprá-la. M. deu pela falta de R$ 130,00. Lopes negou ter ficado com o dinheiro. "Eu não roubei nada", afirmou. "Não preciso de dinheiro porque ganho R$ 4 mil por mês na empresa da minha família." Ele foi indiciado em inquérito e teve a prisão preventiva solicitada pela polícia. Lopes está com prisão administrativa decretada por 90 dias. Foi condenado por ser depositário infiel.

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