Médica é detida por recusar atendimento
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segunda-feira, 11 de julho de 2005
Alex Capella/AE 
Belo Horizonte - Acusada de negar atendimento a três crianças, no Hospital Municipal São Judas Tadeu, em Ribeirão das Neves, na Grande Belo Horizonte, a médica Márcia do Socorro Araújo Fernandes, de 39 anos, foi autuada, na manhã de ontem, e encaminhada para a 10 Delegacia Seccional da Polícia Civil. Segundo familiares das crianças, a pediatra, que também é tenente da Polícia Militar, recusou-se a deixar a sala reservada aos plantonistas, porque estaria dormindo. A profissional de saúde agora irá responder na Justiça por omissão de socorro, mas vai responder ao processo em liberdade.
Assim que encerrou o plantão, Márcia do Socorro Araújo Fernandes foi levada direto para a delegacia. Apesar de ter sido liberada após prestar depoimento, a médica deverá se apresentar hoje ao Juizado Criminal de Ribeirão das Neves. Ao diretor do hospital, versão repetida no depoimento, a pediatra negou que tenha recusado atender as crianças. ''Ela alegou que, no momento, tinha outro atendimento no andar de cima do hospital e que não poderia descer para atender o ambulatório'', afirma Fredy Andrade, diretor do Hospital Municipal São Judas Tadeu.
Além da médica, três funcionários do hospital prestaram depoimento na delegacia. Há um mês, um bebê morreu no mesmo hospital, enquanto esperava atendimento. Na ocasião, não havia pediatra de plantão na unidade. Segundo o diretor do hospital, normalmente nos plantões de domingo trabalham três pediatras. Porém, diante da escassez no número de pediatras no atendimento público, no plantão de domingo, fica apenas uma. A escassez de profissionais foi confirmada pela Secretaria de Saúde de Ribeirão das Neves.
Enquanto a situação não é resolvida, será aberto um inquérito administrativo para apurar a denúncia contra a médica que vai ficar afastada durante as investigações. O caos na saúde pública do município foi denunciado por um pai de uma das crianças não atendidas que, revoltado com a postura da médica, chamou a polícia. Ao chegarem ao hospital, os policiais encontraram a pediatra deitada, coberta por um cobertor, 'provavelmente dormindo', segundo relato dos policiais. Mesmo diante da presença dos militares, a profissional de saúde teria se recusado a levantar-se e a atender as três crianças que apresentavam problemas respiratórios. As crianças tiveram que ser levadas, pela viatura da polícia, para o centro-geral de pediatria em Belo Horizonte. ''Ela recusou-se a atender, pois estava deitada. Mesmo com a nossa presença, continuou dizendo que não ia atender'', disse o cabo da Polícia Militar, Valter Randi, que comandou a ocorrência.


