Rio, 01 (AE) - O juiz da 18ª Vara Civil do Rio de Janeiro, Werson Franco Pereira Rêgo, condenou a médica Jorama Pinto de Lima a pagar uma indenização de R$ 10.626,73, por danos materiais, e mil salários mínimos, por danos morais, à família do empresário Nelson Lacerda. A médica é acusada de ser a responsável pela morte da esposa do empresário, Lizette Madeira da Silveira.
Lizette foi operada por Jorama no dia 21 de janeiro de 1998, uma quarta-feira, para fazer uma plástica de abdome. Na sexta-feira, Lizette, que na época tinha 60 anos, recebeu alta, mesmo estando com febre e pressão alterada. A família teve dificuldades em encontrar a médica, que não fornece o telefone de casa. Após enviar um fax, que não teve resposta, a família conseguiu, no sábado, localizar Jorama.
Por telefone e sem examinar a paciente, a médica prescreveu o remédio efortil (indicado para levantar a pressão) e um pouco de sal, para ser colocado debaixo da língua da paciente. Lizette piorou e no domingo de manhã cedo foi levada para a Clínica São Vicente, na Gávea. Apesar dos eforços da equipe da instituição, Lizette acabou morrendo. De acordo com o laudo, Lizette morreu de septicemia (infecção generalizada).
Inconformados, o marido e os dois filhos decidiram entrar na justiça.
Contratada pela família para entrar com uma ação civel, a advogada Ana Regina Auban argumentou que a médica não fez um acompanhamento do pós-operatório. "A atuação do médico não termina com o fim da cirurgia, é necessário um acompanhamento", disse. "Na realidade, Lizette não poderia ter recebido alta com febre e problemas de pressão", observou.
Depois que foi denunciada, a médica teve a sua clínica, na Barra da Tijuca, na zona oeste, interditada pela Vigilância Sanitária porque foram detectadas irregularidades e problemas de higiene.
A família de Lizette, que prefere não se pronunciar sobre o assunto, também entrou com outras ações na área penal por homicído culposo, imperícia e imprudência, por contravenção penal (exploração econômica de estabelecimento sem atendimento à legislação vigente) e por contravenção penal (contra quatro funcionários da clínica Dra. Jorama, por exercício ilegal da profissão).
O empresário Lacerda também denunciou a médica ao Conselho Regional de Medicina (CRM) do Rio de Janeiro. O CRM abriu um processo ético-profissional contra Jorama. A médica foi procurada pela reportagem da Agência Estado, mas não foi encontrada. Se quiser, ela pode recorrer da decisão do juiz da 18ª Vara Cível.

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