Médica denuncia secretária de saúde por injúria racial
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terça-feira, 24 de março de 2015
Antoniele Luciano<br>Reportagem Local 
Santa Helena - A Polícia Civil de Santa Helena (Oeste) abriu inquérito para apurar uma denúncia de suposto crime de injúria racial envolvendo uma médica negra e a secretária de Saúde do município. Segundo a investigadora que acompanha o caso, Izilda Figueiredo, um boletim de ocorrência foi feito na última sexta-feira pela clínica geral Thatiane Santos da Silva, de 30 anos, após a profissional ouvir da secretária Terezinha Madalena Botega comentários considerados por ela como discriminatórios sobre o seu cabelo. A médica usa dreadlocks, estilo caracterizado por tranças longas e finas.
"A secretária vai responder ao inquérito e deve ser intimada para prestar esclarecimentos sobre a denúncia", comentou a investigadora. A pena para o crime de injúria racial é de 1 a 3 anos de detenção.
Thatiane é integrante do programa Mais Médicos e chegou a Santa Helena há pouco mais de duas semanas. Ela relatou que teve uma reunião de apresentação do Programa Saúde da Família (PSF), na última quinta-feira, dia 19, com a secretária municipal e sua assistente quando houve a abordagem constrangedora. "Ela disse que tinha um problema, que a população daqui espera dos médicos um padrão e que não corresponderia com o meu", disse. A reação da médica foi de surpresa, já que até então Thatiane ainda não tinha vivenciado situação semelhante no exercício de sua profissão. Um dos argumentos de Terezinha teria sido que o cabelo dela exalava um cheiro forte de incenso.
A médica procurou no dia seguinte a Polícia Civil e registrou boletim de ocorrência. Também informou o caso ao Conselho Federal de Medicina (CFM) e ao Ministério da Saúde. Thatiane afirmou que espera que a secretária responda pelo ato. Ainda conforme a profissional, o episódio não deve ter impacto em seu trabalho. "Não vai intervir na minha relação médico com paciente", frisou.
Formada em Cuba, Tathiane voltou ao Brasil em 2012. Ela fez a revalidação do diploma e obteve o registro para trabalhar no País. Com ela, outros oito médicos atuam em Santa Helena pelo Mais Médicos. Ao todo, quatro são cubanos e cinco são brasileiros que se formaram em Cuba.
Procurada pela reportagem, a responsável pela Saúde no município confirmou os comentários sobre o cabelo da médica, mas que não acreditava que a observação pudesse tomar essa dimensão. "Falei no intuito de protegê-la de preconceito aqui. Por ser militante do movimento negro, ela se ofendeu. Mas, para nós, disse que estava acostumada a lidar com aquilo e que queria ser respeitada como médica", afirmou Terezinha. Ela disse que já pediu desculpas para a médica.


