Sorocaba- A falsa médica Adriana Fattori Tomet Giuberti, de 32 anos, consultava as anotações de uma ''cola'' para atender os pacientes nos hospitais em que vinha atuando na capital e no interior de São Paulo. Mesmo assim, receitou uma dosagem de remédios dez vezes maior que a recomendada para uma criança de Angatuba, a 210 km de São Paulo. A dose era tão excessiva que a balconista da farmácia negou-se a aplicar o remédio. Ela também recorria a outras pessoas, por telefone, durante o atendimento.
Mesmo com tanta demonstração de imperícia, durante cerca de quatro anos Adriana percorreu o Brasil exercendo a medicina. Ela atendeu pacientes em sua suposta especialidade, a pediatria, inclusive em hospitais de prestígio do interior e da capital. Na noite de segunda-feira, quando foi presa por agentes da Polícia Civil, a falsa médica entrava para dar plantão num hospital da Unimed, na Avenida Celso Garcia, zona leste de São Paulo.
De acordo com o delegado titular de Angatuba, Hélio Rolim da Silva, a partir de 2003, quando teria obtido um diploma de medicina em Cochabamba, na Bolívia, Adriana trabalhou em postos de saúde e hospitais de Minas Gerais e do nordeste. Em Ibipitanga, na Bahia, atuou quase um ano entre 2005 e 2006 e chegou a ser responsável pela contratação e treinamento de pessoal da área médica. Já em São Paulo, trabalhou nas Santas Casas de Capão Bonito e Angatuba e em hospitais de Guarulhos e São Paulo. Em alguns casos, sua contratação ocorreu por meio de uma cooperativa de serviços médicos. ''O mais incrível é que, em todos os empregos, ela apresentou apenas uma cópia falsificada do registro no Conselho Regional de Medicina (CRM).''
Adriana foi denunciada pela direção da Santa Casa de Angatuba no final de novembro, depois de trabalhar durante 15 dias no local. Ao ser contratada, apresentou o CRM da médica boliviana Adriana dos Reis Nina, de São Paulo. A falsificação foi descoberta por acaso: como estava para assumir a chefia do setor de pediatria do hospital, uma funcionária precisou contatá-la e, como não tinha o telefone, recorreu ao CRM. O contato foi feito com a verdadeira médica. A Santa Casa procurou a polícia, mas Adriana desapareceu.
Com autorização judicial, o delegado passou a monitorar o telefone da acusada. No dia seguinte à prisão, ela estava com viagem marcada para o Pará, pois fora contratada por uma grande clínica médica. ''Estava acertado que um motorista iria apanhá-la no aeroporto.'' Os policiais civis apreenderam com ela outra carteira do CRM falsificada, em nome de Adriana Braga Góes, médica de Divinolândia (SP), mas com sua fotografia.
Autuada por exercício ilegal de medicina e falsidade ideológica, ela está presa na Cadeia Feminina de Capela do Alto, região de Sorocaba.

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