Brasília - A média do desempenho dos alunos que participaram do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (Saeb), em 2001, ficou abaixo do nível ideal. Mesmo assim, o ministro da Educação, Paulo Renato Souza, comemorou a tendência de estabilidade nas médias dos estudantes da 8 série do ensino fundamental e do 3º ano do ensino médio, em relação aos voluntários que fizeram exames de português e matemática em 1999.
O Saeb é realizado a cada dois anos. O desempenho é classificado em oito níveis, de acordo com o número de pontos que varia de 125 a 400. O relatório mostra que os alunos da 3 série do ensino médio alcançaram em português e matemática o nível 5, quando o desejado seria 7. Na prática, essa diferença significa, por exemplo, que a maioria dos estudantes não consegue estabelecer a relação entre a tese e os argumentos utilizados para sustentá-la ao ler um texto mais complexo.
Na área de matemática, a maioria não sabe aplicar o Teorema de Pitágoras ou utilizar progressões aritméticas e geométricas para resolver problemas. A média dos alunos da 4série do ensino fundamental teve uma ligeira queda, em 2001 comparado a 1999. Eles se confundiram com problemas de localização a partir de um ponto de referência.
Para a secretaria-executiva do MEC, Maria Helena Guimarães, não se justifica que esses alunos errem problemas de localização que deveriam ter sido assimilada ainda na pré-escola.
O resultado do Saeb mostrou também que os alunos da 4 série, em 2001, tinham mais dificuldade em interpretar textos narrativos simples e resolver operações de adições e subtrações com até três algarismos do que as crianças matriculadas nesta mesma série em 1999.
Os alunos também não têm o hábito de interpretar poemas. O ministro Paulo Renato atribuiu o resultado na 4 série à incorporação de novos alunos e pela participação de escolas rurais na avaliação, principalmente nas regiões Nordeste e Centro-Oeste. Os alunos das escolas rurais têm desempenho inferior ao das escolas urbanas. ''Nas capitais, em geral, as escolas possuem melhor infra-estrutura e tanto os alunos como professores têm, nas capitais, acesso a uma maior variedade de bens culturais'', constatou o relatório do Saeb.
Uma amostra de 288 mil alunos de sete mil escolas públicas e privadas participaram do Saeb. Os matriculados nos estabelecimentos privados têm melhor desempenho do que os demais. O Saeb verificou que 33% do desempenho do aluno depende da qualidade das escolas, no Nordeste, e 32% no Centro-Oeste. Nos Estados Unidos e Canadá, onde o aluno tem mais acesso a informações fora da escola, esse porcentual cai para apenas 6%.
Os resultados do Saeb e o relatório pedagógico com os maiores acertos e os erros mais comuns serão distribuídos a professores e escolas que participaram da avaliação. Exemplares também seguirão para as secretarias municipais e estaduais de Educação, além de universidades.

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