São Paulo,28 (AE) - O deputado federal, Luiz Antonio de Medeiros (PFL-SP), admite que a Justiça do Trabalho deve passar por uma reforma mas é contra a sua extinção, como vem sendo proposta pelo relator da Reforma do Judiciário, deputado Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP). "Esse é um dos maiores atentados, depois da extinção da Justiça do Trabalho virá a extinção da CLT (Consolidação das Leis Trabalhistas)?", questiona Medeiros.
O argumento usado por Medeiros para a manutenção da Justiça Trabalhista, é que ela é de maior acesso para o trabalhador. Na sua avaliação, a Justiça do Trabalho é um ramo especializado do poder Judiciário e deve, como tal, ser mantida de forma autônoma e independente. "Primeiro vamos lutar pela sua manutenção e, para não dividir as opiniões. Depois vamos falar em reformá-la", afirmou.
Medeiros citou uma pesquisa na qual 90% da população é a favor da manutenção da Justiça do Trabalho. Esse é um dado, na opinião de Medeiros, que não pode ser deixado de lado nem pelo próprio senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), uma das lideranças nacionais contra a Justiça do Trabalho. "ACM é um homem sério e equilibrado vai levar em conta estes números", disse Medeiros. Recentemente, ACM criticou Medeiros pela postura adotada pelo sindicalista em favor da Justiça do Trabalho. "Não quero brigar com ACM, ele é um homem de bom senso, mas tenho princípios a defender e a minha lealdade maior é com o povo que me elegeu".
O deputado está participando da audiência pública "Papel e Perspectivas da Justiça do Trabalho", organizada pela bancada do PCdoB, na Assembléia Legislativa, em São Paulo. O encontro reúne cerca de 150 pessoas, a maioria representantes da Justiça Trabalhista. Também participam do encontro o presidente do Tribunal Superior do Trabalho Wagner Pimenta, o presidente do Tribunal Regional do Trabalho-SP Floriano Vaz da Silva, lideranças sindicalistas, os deputados estaduais Jamel Murad e Nivaldo Santana e o federal Aldo Rebelo, os três do PCdoB e, o deputado estadual Arnaldo Jardim (PPS).
Críticas - Medeiros criticou hoje a proposta de emenda constitucional que o governo federal envia esta semana ao Congresso Nacional fixando a idade mínima para aposentadoria do trabalhador do setor privado, 60 anos para os homens e 55 para as mulheres. "A previdência precisa de uma reforma profunda, que acabe com privilégios e crie uma aposentadoria universal, mas o governo não caminha nesse sentido e essa nova proposta muda as regras depois de iniciado o jogo, atingindo direitos adquiridos", disse Medeiros. O deputado afirmou que mesmo pertencendo ao PFL, partido que integra a base governista, irá se manifestar contra essa emenda constitucional. "Ela é uma violência", disse Medeiros.

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