Brasília, 21 (AE) - O deputado Luiz Antônio de Medeiros (PFL-SP), autor da proposta que eleva o salário mínimo para US$ 100, vai sugerir, na reunião com os ministros da Fazenda, Pedro Malan, e da Previdência, Waldeck Ornélas, duas formas de aumentar os recursos para permitir o reajuste do mínimo: o combate à sonegação fiscal pela Previdência e o aumento da receita com a maior contribuição previdenciária da iniciativa privada. Medeiros admitiu que a idéia do PFL foi apresentada em um ano eleitoral para tirar "concessões de quem toma as decisões". "Fica mais complicado para o governo dizer não em ano eleitoral", disse o deputado. Segundo ele, a situação beneficia a população. "Quem tem em mãos o poder de decisão precisa de votos e, por isso, é mais fácil para os trabalhadores tirar proveito da situação."
O porta-voz da Presidência, Georges Lamazire, disse hoje que a decisão sobre o valor do novo salário mínimo será tomada no fim de abril, porque depende de estudos técnicos. "O presidente Fernando Henrique Cardoso mostrou satisfação com o fato de o déficit ter parado de crescer e a certeza de que o ministro Waldeck Ornélas tudo fará para evitar que ele volte a subir", afirmou Lamazire em resposta à declaração de Ornélas sobre o déficit da Previdência.
Lamazire disse ainda que a política do governo nos últimos anos tem sido a de conceder o "maior aumento possível" para o salário mínimo. O porta-voz afirmou que o presidente considera normal as discussões entre ministros sobre o tema. "Nada mais normal que o ministro Ornélas procure um colega de Ministério (Malan) para falar de um assunto que envolve as duas pastas."
Para Medeiros, porém, a decisão do governo de transferir para o PFL a missão de indicar as fontes de recursos para conceder o salário de US$ 100 demonstra falta de "vontade política". "O governo vai conseguir dizer a fonte de recursos, afinal não conseguiu dinheiro para o sistema bancário?", provocou.
Segundo Medeiros, o encontro do PFL com os ministros da Fazenda e da Previdência havia sido marcado inicialmente para amanhã (22), mas foi confirmado somente para a próxima quinta-feira (24). A Assessoria de Imprensa do deputado chegou a divulgar que a audiência havia sido adiada.
De acordo com o parlamentar, caberá ao PFL a relatoria ou a presidência da comissão especial sobre o salário mínimo. O pefelista afirmou ainda que, se o governo quiser, inclui na proposta orçamentária, a ser aprovada em março, a fonte de receita para elevar o mínimo.

mockup