São Paulo, 1 (AE) - A Medabil Tessenderlo inaugurou uma casa de plástico de 100 metros quadrados na divisa de Xangrilá e Atlândida, praias do litoral norte gaúcho. A moradia, que serve de show room para os produtos da Medabil, expõe o uso de janelas
portas internas e externas, divisórias, forros e revestimentos para parede em PVC. O diretor comercial da Medabil, César Bilibio, afirma que o material é imune a ferrugem e cupins, fácil de limpar (exige apenas água e sabão) e oferece isolamento térmico e acústico. O presidente da Medabil, Atilio Bilibio, estima que as vendas do mix de 20 produtos para a construção civil fabricados pelas unidades no Rio Grande do Sul e em Cabo (PE) vão resultar em R$ 130 milhões, neste ano, ou 30% a mais do que em 1999.
A previsão de crescimento da Medabil tem por base a expectativa de incremento da construção civil brasileira, que deverá ser o dobro do porcentual previsto para o PIB ou 8%, este ano. E o acréscimo da capacidade produtiva, com a entrada em operação da mais nova unidade, com capacidade instalada para 1.200t/mês, em Cabo, região metropolitana do Recife (PE).
No Rio grande do Sul, a Medabil tem capacidade instalada para a transformação de 18 mil t/ano ou 1.300 t/mês de PVC nos 20 produtos do mix. Além de mostrar os perfis no litoral, a indústria está treinando pessoas interessadas em montar as janelas e portas em todo o País. Este ano, prevê César Bilibio, deverão ser formados 50 montadores de esquadrias, em uma escola própria da empresa, instalada em solo gaúcho.
No Brasil, o consumo anual de janelas e portas de todos os materiais (alumínio, madeira e plástico) é de 17 milhões a 18 milhões de unidades. Desse total, apenas 0,5% são de PVC, enquanto nos Estados Unidos e na Europa o plástico já conquistou 40% desse mercado. "Estamos lançando as esquadrias no litoral, para fabricá-las em escala", explica César Bilibio.
As janelas e portas de PVC contam com estrutura de ferro ou alumínio por dentro, o que garante sua resistência. Por usarem dois tipos de material elas tornam-se cerca de três vezes mais caras do que as aberturas comuns, principalmente se forem feitas sob encomenda. Porém, explicam os fabricantes, a redução de preços será proporcional ao aumento da escala de produção.
Nova unidade - O acréscimo nas vendas se deve, principalmente, à entrada em operação da unidade da Medabil em Cabo, região metropolitana de Recife (PE). Com capacidade instalada para o processamento de 1.200t/mês de plásticos em todos os produtos do mix, a unidade pernambucana deu forma a joint venture entre a Medabil (70%) e a belga Tessenderlo (30%). Isso, porque os países da Europa, que utilizam esquadrias desde a década de 50, possuem conhecimento tecnológico mais adiantado do que a indústria brasileira. Na indústria de 80 mil metros quadrados, as máquinas para extrusão de PVC (dos quais o plástico sai em forma de perfil) foram todas importadas da Itália. O investimento no terreno, na construção e nos bens de capital demandaram recursos próprios de R$ 8 milhões. O empreendimento conta com incentivos do governo pernambucano, que abriu mão durante cinco anos do recolhimento do ICMS de 18%. Após o período de carência, a Medabil Tessenderlo passa a pagar o imposto com taxa de 6% ao ano.
Para Atilio Bilibio, a isenção temporária do tributo não afetará seus negócios em outros estados brasileiros envolvidos na guerra fiscal - em São Paulo, o governo ameaçou não reconhecer créditos de ICMS de clientes que compram de fornecedores isentos em outros estados; e o governo gaúcho montou barreiras nas fronteiras do Estado, pelas quais a mercadoria isenta não passa sem pagar a diferença.
O presidente da Medabil explica que a nova indústria inicia as operações em abril usando um terço (400 t/mês) da capacidade instalada, para abastecer as regiões Norte e Nordeste do Brasil. A produção excedente será exportada para a áfrica, os Estados Unidos e a Europa, já que a unidade é favorecida pela proximidade do porto de Suape, por onde os navios saem para outros continentes ou para outros países sul-americanos, por navegação de cabotagem. Nesses países, diz Bilibio, a Tessenderlo possui outras joint ventures, mas elas só fabricam esquadrias e janelas, podendo absorver os outros 18 produtos do mix da Medabil.