Mecânico confessa morte de membro do PPS
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domingo, 13 de fevereiro de 2000
Por Dimitri do Valle (especial para a AE) 
Almirante Tamandaré, PR, 14 (AE) - O mecânico desempregado Edson Farias, de 19 anos, confessou hoje que matou o presidente do Diretório Municipal do PPS de Almirante Tamandaré (na Região Metropolitana de Curitiba), Miguel Siqueira Donha, de 51 anos. De acordo com Farias, o assassinato foi por questões políticas. Temendo ser morto pela polícia, Farias entregou-se na manhã de hoje, mas na sede do Diretório Municipal do PPS.
Desde o assassinato de Donha, na madrugada do dia 22, o partido sustentou a tese de crime político.
O desempregado disse na manhã de hoje que não tinha a intenção de matar Donha. Farias afirmou que foi contratado para dar um "susto" no presidente do partido. Ele levou um tiro de Farias no joelho e morreu por causa da forte hemorragia seguida de parada cardíaca. Donha, que também ocupava a direção da corretora de seguros do Banco do Estado do Paraná (Banestado), articulava o lançamento de uma candidatura de oposição para disputar a prefeitura de Almirante Tamandaré nas eleições de outubro.
Amanhã (15), às 11 horas, os presidentes nacional do PPS
senador Roberto Freire (PE), e dos Diretórios Regional do Paraná, deputado federal Rubens Bueno, e Municipal de Curitiba, Amadeo Geara, terão audiência com o ministro da Justiça, José Carlos Dias, em Brasília.
Eles vão pedir providências ao ministro para que o caso tenha acompanhamento da Polícia Federal (PF). Os dirigentes do PPS questionaram os métodos de investigação adotados pela polícia paranaense para investigar o caso. A versão inicial era de que Donha tinha sido vítima de um latrocínio (matar para roubar).
"Ninguém dá tiro no joelho e, depois, queima o veículo da vítima num assalto", disse o secretário-executivo do PPS no Paraná, Rubens de Camargo. Donha e a mulher, Iara, foram surpreendidos por dois homens que os esperavam no portão de sua casa após uma festa de casamento. A polícia prendeu o vigilante Antônio Martins Vidal, mais conhecido como " Tico", que trabalha na prefeitura de Almirante Tamandaré. O vigilante é acusado de contratar Farias e outro homem conhecido apenas como José para intimidar Donha. " Tico" foi preso no dia 24, mas solto por determinação da Justiça na quarta-feira (09).
O delegado titular da Delegacia de Homicídios de Curitiba, Fause Salmem, estranhou a apresentação de Farias na sede do PPS. "Demos todas as garantias de vida para ele", afirmou. Salmem informou que irá fazer uma acareação entre Farias e "Tico" para tentar descobrir os outros envolvidos no crime. "Tico" teria sido contatado por um homem cujo apelido é "Patrão". "O Edson só está preso porque pedimos a sua prisão preventiva", disse. Sobre a tese de crime político, o delegado respondeu que, enquanto não tiver indícios, não poderá confirmar o que Farias declarou. "Só poderei responder quando tiver indícios nos autos", afirmou.


