Brasília, 19 (AE) - O Ministério da Educação (MEC) deve reabrir até novembro as inscrições ao Financiamento Estudantil (Fies), novo programa de crédito educativo que deixou de atender este semestre 38 mil, dos 88 mil universitários que se candidataram ao empréstimo. O anúncio, feito hoje pelo ministro da Educação, Paulo Renato Souza, depende da disposição das universidades de aceitar estudantes beneficiados.
O problema, segundo Paulo Renato, é que as instituições de ensino, ao aderir ao Fies, fixaram cotas reduzidas de vagas para os estudantes financiados pelo MEC. Elas agiram assim porque o pagamento das mensalidades desses alunos, a cargo do Fies, é feito em títulos da dívida pública que só servem para pagar a contribuição à Previdência. Além disso, há o temor da inadimplência e o fato de que as universidades arcam com 5% do prejuízo, caso os estudantes não paguem o empréstimo depois de formados.
O ministro orientou técnicos do MEC a estudar a alteração dos critérios de seleção. O Fies banca até 70% do valor da mensalidade e o MEC exige que essa parcela de 30%, paga pelo aluno, não comprometa mais do de 60% de sua renda familiar per capita. A exigência cortou 24 mil candidatos. "A Medida Provisória que instituiu o Fies não prevê critério de renda", criticou o deputado Osvaldo Biolchi (PMDB-RS). Segundo o ministro, o MEC tem recursos para atender mais alunos, até porque foram beneficiados apenas 50 mil novos alunos e a meta era atingir 60 mil.
Paulo Renato disse também que, caso o Congresso aprove recursos adicionais, o governo poderá aumentar o dinheiro para o Programa de Garantia de Renda Mínima - que paga pelo menos R$ 15 00 às famílias pobres com filhos na escola. À tarde ele assinou convênio com o Ministério da Ciência e Tecnologia para que as universidades federais tenham acesso à Internet 2, rede de computadores 17 vezes mais veloz do que a atual.

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