O Ministério da Educação (MEC) decidiu liberar o salário de outubro dos professores das universidades federais que decidiram voltar ao trabalho. Serão beneficiados os 700 professores da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), que resolveram retomar as aulas na segunda-feira (26), e os de alguns institutos das federais do Rio de Janeiro (UFRJ) e de Minas Gerais (UFMG).
A paralisação, comandada pela Associação Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes), começou em 22 de agosto, atinge 39 universidades, 35 escolas profissionalizantes e 11 centros federais de ensino superior.
De acordo com a secretária de Ensino Superior do MEC, Maria Helena Guimarães de Castro, a universidade estaria dividida. ''O sindicato tem demonstrado um grau muito grande de intransigência'', afirmou.
Já o dirigente da Andes José Domingues Godói garante que o movimento vai bem. ''Só terminaremos a greve se o governo assinar o que foi negociado'', diz, cobrando o cumprimento de um acordo que chegou a ser aceito pelo MEC. A proposta previa uma despesa extra de R$ 350 milhões no ano que vem com a incorporação de gratificações ao salário dos professores.
Do total necessário para cobrir a proposta, R$ 250 milhões seriam remanejados de recursos reservados para emendas apresentadas pelos parlamentares ao Orçamento-Geral da União, mas o governo recuou, por meio de seu líder na Câmara, deputado Arnaldo Madeira (PSDB-SP).
A secretária de Ensino Superior, Maria Helena Guimarães de Castro, admitiu ontem a possibilidade de contratar professores substitutos, no esforço para evitar o adiamento do início do ano letivo de 2002. Pela primeira vez, o MEC está apresentando uma proposta para resolver em parte a reposição das aulas, suspensas pela greve, desde 22 de agosto.
Maria Helena esclarece, porém, que a iniciativa terá de partir das universidades, que têm autonomia para solucionar o problema. ''A solução ideal é o reitor e o conselho universitário cuidarem da reprogramação da carga didática dos professores para que fosse possível terminar em março as aulas (do segundo semestre de 2001)'', diz.
A contratação de substitutos, que recebem em média R$ 600 por mês durante um período máximo de dois anos, é um expediente já previsto pela legislação, e não tem como base a polêmica medida provisória enviada ao Congresso. Essa MP permite a contratação, por até três meses, de profissionais para substituir servidores em greve.

Ontem, os advogados do Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes) pediram ao ministro Gilson Dipp, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que cobre novamente do ministro da Educação, Paulo Renato Souza, o pagamento dos salários de outubro dos professores. ''É um absurdo um ministro se colocar acima da lei'', criticou o presidente do Andes, Roberto Leher.

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