MEC vai mudar as regras do vestibular
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 18 de dezembro de 2001
Agência Estado<br>De Brasília, DF 
A aprovação de mais dois analfabetos em vestibulares de universidades privadas levou o Ministério da Educação (MEC) a alterar as regras dos processos de seleção das instituições superiores. Uma portaria, que será publicada hoje no ''Diário Oficial'', torna a redação eliminatória, prevê a reprovação de quem ''zerar'' nessa prova e exige que os participantes do vestibular estejam pelo menos matriculados no ensino médio.
O MEC aproveita parecer do Conselho Nacional de Educação, de julho de 1999, para tentar acabar com a polêmica causada pelas reportagens do ''Fantástico''. O programa da Rede Globo mostrou a aprovação de pessoas sem o ensino básico nos processos seletivos da Universidade Estácio de Sá e Gama Filho, do Rio de Janeiro.
A portaria do MEC também impede a realização de dois processos seletivos em um único semestre e inclui as notas do Exame Nacional do Ensino Médio no conjunto de requisitos dos concursos seletivos das faculdades e dos centros universitários.
''Eu aproveitei a polêmica para incentivar a prática da redação'', disse o ministro Paulo Renato Souza(foto). Ele não escondeu a irritação. As reportagens, segundo o ministro, não têm fundamento. Na semana passada, Paulo Renato disse que a classificação do padeiro Severino da Silva em nono lugar no vestibular para o curso de direito da Universidade Estácio de Sá, no Rio de Janeiro, era uma ''bobagem''. Só nove candidatos fizeram o concurso.
De acordo com o ministro, a denúncia seria grave se o candidato fosse matriculado. Mas diante da repercussão do episódio, o MEC decidiu abrir sindicância para apurar possíveis irregularidades. ''Não se trata de um fato educacional, mas um fato jornalístico'', avaliou o ministro.
O diretor de Marketing da Estácio de Sá, Marcelo Campos, disse que ''até agora'' a universidade está de acordo com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação. Essa lei prevê às instituições de ensino superior autonomia para escolher a forma de seleção de alunos. ''A própria reportagem mostrou que alguém preencheu a ficha de inscrição para o candidato analfabeto'', ressaltou Campos. ''É impossível alguém entrar na universidade sem ter concluído o segundo grau.''
Ontem o ministro Paulo Renato Souza teve de reforçar o discurso contra os vestibulares das instituições privadas. E anunciar propostas de mudanças nos processos seletivos.


