Brasília, 03 (AE) - Mais de um ano após a aprovação das Diretrizes Curriculares do Ensino Médio - conjunto de normas para orientar a reforma do 2.º grau no País -, o Ministério da Educação (MEC) quer acelerar as mudanças, que incluem alterações radicais nos currículos. A partir de terça-feira, vai ao ar uma campanha de rádio e TV divulgando o projeto, que só deverá virar realidade para a maioria dos alunos em cinco anos, segundo o ministro Paulo Renato Souza.
"A reforma é complicada", admitiu ele hoje, ao divulgar os filmes publicitários da campanha. As diretrizes acabam com a divisão rígida entre disciplinas como química e física, por exemplo, e permitem que 25% do currículo escolar seja preenchido por atividades criadas pelas escolas. Os 75% restantes constituem a base nacional, que deve englobar três áreas: linguagens, códigos e suas tecnologias; ciências da natureza e matemática; e ciências humanas.
Cabe ao conselhos estaduais de Educação regulamentar parâmetros que orientem as escolas na aplicação das diretrizes. No dia 15, o MEC vai lançar os parâmetros curriculares nacionais
que servirão de referência para as redes estaduais de ensino, nas quais está matriculada a maioria dos alunos de ensino médio. A idéia é contextualizar os conteúdos, privilegiando o desenvolvimento de competências pelo aluno, ou seja, a sua capacidade de usar no cotidiano os conhecimentos que adquire.
"O conhecimento não pode ser ensinado em cápsulas", disse o ministro. Para financiar a reforma, o governo negocia empréstimo de R$ 500 milhões com o Banco Interamericano de Desenvolvimento. O dinheiro deve chegar ao País no ano que vem e será liberado mediante contrapartida dos Estados. (D.W.)

mockup