Depois de cinco anos de ameaças, o Ministério da Educação (MEC) suspendeu ontem o vestibular e a entrada de novos alunos em 11 cursos privados e um de universidade federal das áreas de matemática e letras. Por três anos consecutivos esses cursos tiveram notas D ou E no Exame Nacional de Cursos (Provão) e receberam um conceito insuficiente na qualificação de professores.

Na relação dos reprovados estão quatro cursos superiores do Estado de São Paulo: Faculdades Integradas Rui Barbosa de Andradina (Letras), Faculdade de Dracena (Letras) e Faculdades Integradas de Ribeirão Pires (Licenciatura Matemática e Ciências Matemáticas). Além dos cursos de matemática da Faculdade de Educação, de Ivaiporã, e do Centro Universitário Filadélfia, de Londrina, no Paraná. Foram suspensos ainda os cursos de letras do Centro de Estudos de Maceió (AL), da Faculdade de Ciências Humanas de Olinda (PE), da Faculdade de Formação de Professores de Penedo, também em Alagoas (Francês e Inglês), e da Faculdade de Formação de Santo Antão (PE).

A suspensão em nada afeta os atuais alunos. Os estudantes têm diploma garantido após a conclusão do último semestre. Mesmo com o tricampeonato de reprovação, não é desta vez que esses cursos serão fechados. As faculdades terão prazo de um ano para corrigir as deficiências e pedir nova avaliação de docentes, estrutura e metodologia pedagógica.

O ministro da Educação, Paulo Renato Souza, disse que não tem condições de obrigar a transferência dos alunos dos cursos reprovados para instituições com conceitos de avaliação aceitáveis pelo MEC. A responsabilidade pela eventual entrada de péssimos profissionais no mercado é ''dos próprios alunos, da sociedade e das instituições''.

E disse que vem avisando há pelo menos cinco anos sobre a qualidade no ensino. ''Não posso chegar e fechar esses cursos.'' O curso de letras ministrado no município de Cruzeiro do Sul pela Universidade Federal do Acre foi o único do sistema público a ter o vestibular suspenso. ''Temos de reconhecer que se trata de um curso quase na fronteira do País (distante cerca de 120 km do Peru)'', disse o ministro Paulo Renato Souza. ''Se confirmou mais uma vez que as públicas federais tiveram melhor desempenho.''

O Exame Nacional de Cursos avaliou 20 áreas, totalizando 3.668 cursos de instituições públicas e privadas. Destes, 32% receberam conceito D ou E. Trinta e três cursos ficaram sem conceito, pois nesses casos apenas um aluno fez as provas ou todos boicotaram os exames. O índice de cursos com conceito A, nota máxima de avaliação, foi de 14,3%. Já o percentual de cursos com conceito E foi de 11,4%.

''Mais importante que punir as instituições é mostrar que se ela não deu conta de oferecer um bom curso precisa se esforçar mais'', ressaltou a secretária de Ensino Superior, Maria Helena Guimarães de Castro.

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