São Paulo, 29 (AE) - O Ministério da Educação (MEC) está revendo as diretrizes para a educação das crianças surdas e pode voltar atrás da decisão de manter uma política de inclusão dos estudantes deficientes nas salas de aula regulares. A criação de escolas para surdos ganha força entre professores e pesquisadores da área, que mostram ser ineficaz o método de ensino convencional na educação dos deficientes auditivos. "A sintaxe das frases é diferente e os alunos não compreendem o que professor ensina", diz Carlos Skliar, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.
Para a coordenadora geral de Desenvolvimento da Educação Especial do MEC, Luzimar Camões Peixoto, pensar em escolas especiais será um retrocesso. "Há algumas vantagens, mas há pontos negativos, como a separação dos estudantes", afirma. "Hoje, os alunos já estão integrados e têm atendimento fora da sala para acompanhar as aulas". Apesar da polêmica, o MEC está coordenando uma pesquisa para detectar o que pode ser feito para melhorar a educação dos surdos. O estudo ficará pronto no fim do ano.
A questão da inclusão foi um dos temas debatidos hoje no 1.º Congresso Brasileiro de Educação de Surdos, em São Paulo. O evento, promovido pelo Instituto de Tecnologia Avançada em Educação (Itae), termina amanhã (30). Os participantes do encontro também debateram sobre a necessidade de reformular os projetos pedagógicos das escolas especiais e sobre como devem ser essas mudanças. Os participantes defenderam a necessidade de as escolas adotarem a Língua Brasileira de Sinais (Libras) como a primeira língua no ensino. "Antes de iniciarem a alfabetização da língua portuguesa, os estudantes precisam aprender o sentido das palavras", acredita Karin Lilian Strobel
do Departamento de Educação Especial da Secretaria de Educação do Paraná. Dificuldades - Karin é deficiente auditiva e relatou algumas dificuldades enfrentadas na época em que estudava. "Para ensinar as letras, o professor fazia comparações como, por exemplo, a de avião", relembra. "Para mim, a comparação não funcionava, pois não faço a relação de sons". A estrutura das frases formuladas pelos deficientes também é diferente. "O verbo e a negação ficam no fim da frase", explica Skliar. Os participantes também discutiram a necessidade de formar professores especialistas na linguagem dos sinais.

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