EXCLUÍDOS DA LISTA MEC reprova 248 livros didáticos Agência Estado De Brasília Quase metade dos livros didáticos da 1ª a 4ª série avaliados pelo Ministério da Educação (MEC) foram reprovados e excluídos da lista de compra do governo. Experimentos que põem em risco a vida dos estudantes e erros metodológicos, conceituais ou de informação levaram ao corte de 248 (43,5%) dos 569 títulos analisados. Em relação às avaliações anteriores, no entanto, o resultado melhorou. Técnicos do MEC consideraram que uma experiência citada no livro ‘‘Vamos Aprender – 4ª série’’, de Plínio Carvalho Lopes (Editora Saraiva), ‘‘coloca os alunos sob elevado risco de vida, uma vez que apresenta montagem experimental que, caso venha a ser realizada pelos alunos, poderá levar à morte por eletrocussão’’. A experiência mostra uma pipa sendo empinada com fio metálico de modo a captar raios. No livro ‘‘Eu e o Mundo – Uma Proposta Construtivista -3ª série’’, de Ernesto Jacob Keim (Editora FTD), o autor propõe numa lição que os estudantes fervam frascos de vidro de penicilina. Segundo o coordenador da avaliação na área de ciências, Nelio Bizzo, o livro deveria alertar que a legislação brasileira proíbe a reutilização de frascos de penicilina, para ‘‘evitar que alunos peguem em farmácias frascos já utilizados, com risco de contaminação de hepatite e aids’’. Em outro livro de Keim, destinado à 4ª série, uma experiência de análise cromática propõe a queima de enxofre, mercúrio e iodo metálico, o que pode causar cegueira, problemas respiratórios ou de acúmulo de metais pesados no organismo. ‘‘Não são aceitos livros que exponham a riscos a integridade física dos alunos’’, afirmou Bizzo. A avaliação excluiu também o livro ‘‘Ciências da Escola para a Vida’’ (Editora Lê), que traz erro de ilustração, segundo Bizzo, ao representar uma glândula sudorípara, que não é vista a olho nu, do tamanho de uma batata. Dos 98 títulos de ciências analisados, 18 foram excluídos do Guia de Livros Didáticos 2000-2001 divulgado ontem pelo MEC, que vai orientar as compras do governo federal no ano que vem. Na área de estudos sociais, a recordista de reprovações, foram cortados 88 dos 156 títulos avaliados. Um deles é ‘‘Gente do Rio, Rio da Gente – 3ª série’’, de Marília Bacellar, Eliana Caboclo, José Silveira e Irene Barcelos (Editora do Brasil), reprovado por usar estereótipos do tipo ‘‘ser carioca é gostar de samba, futebol e praia’’.

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