Rio, 12 (AE) - Um dos mais importantes acervos modernistas do País está sendo restaurado e será exibido ao público até o fim do ano. São pinturas, afrescos, esculturas e tapetes de artistas como Cândido Portinari, Bruno Giorgi e Oscar Niemeyer. As obras de arte pertencem ao Palácio Gustavo Capanema
sede do Ministério da Educação na época em que o Rio era a capital federal. Todo o prédio está sendo restaurado e, agora, em uma terceira etapa das obras, está prevista a recuperação das 57 peças artísticas que decoram o palácio.
"O prédio e seu acervo mostram a chegada do pensamento moderno ao primeiro escalão do governo", explica o coordenador do projeto das obras de restauração, Paulo Vidal. "O ministro Capanema fez da sede de seu ministério um símbolo da nova corrente que desbancava o pensamento acadêmico do século 19."
O Palácio Gustavo Capanema foi construído entre 1936 e 1945, com base num projeto arquitetônico de uma equipe coordenada por Lúcio Costa, da qual faziam parte cinco arquitetos, entre eles Oscar Niemeyer e Afonso Reidy. O grupo contou com a consultoria do arquiteto franco-suíço Le Corbusier, precursor do modernismo na arquitetura.
Pioneirismo - Todas as obras de arte que fazem parte do acervo foram encomendadas especialmente para decorar o palácio - considerado o primeiro prédio moderno do mundo em escala monumental. Dada sua importância, o prédio é candidato a ser considerado patrimônio da humanidade pela Organização das Nações Unidas (ONU).
Um dossiê sobre isso está sendo preparado pelo governo brasileiro para ser enviado à ONU assim que as obras terminarem.
Na terça-feira, será inaugurada uma exposição de fotos da época da construção do prédio, que atualmente abriga repartições do Ministério da Cultura e da Educação.
Entre as principais obras do acervo a ser restauradas ainda este ano estão 13 afrescos e 4 telas de Portinari. Um dos conjuntos chama-se Ciclo Econômico: são 12 painéis de 2,8 metros de altura por até 3 metros de largura cada um e mostram os principais ciclos econômicos brasileiros, desde o pau-brasil até o da carnaúba. "De uma forma geral, os painéis estão em bom estado, mas precisam de limpeza e alguns retoques", conta Vidal.
Um outro afresco do pintor, chamado Jogos Infantis, um enorme painel de 4,8 metros de altura por 13 de largura, também será restaurado este ano. Está prevista também a restauração de uma série de quatro telas do pintor que representam os quatro elementos: fogo, terra, água e ar. No acervo do palácio, há ainda sete painéis de azulejos de Portinari e dois grandes afrescos, Coro e Escola de Canto, que já foram restaurados. Para recuperar os demais Portinaris, Vidal estima gastar R$ 150 mil.
Limpeza - Um tapete de 140 metros quadrados, assinado por Niemeyer, também será restaurado até o fim do ano. Com desenhos abstratos nas cores azul, bege, marrom e vermelho, o tapete tem um corte sinuoso e foi feito especialmente para o prédio. "Vamos lavá-lo e reforçar a trama nas partes em que está esgarçado", diz Vidal. Passarão por processos de limpeza e manutenção 16 esculturas de Bruno Giorgi, Celso Antônio, Adriana Janacópolus e Lipchitz. As obras estarão abertas à visitação pública.
A restauração do prédio faz parte de um convênio firmado em 96 entre a Petrobrás e os Ministérios da Cultura e da Educação. Já foram concluídas 70% das intervenções, orçadas em R$ 10 milhões. "Aguardamos a liberação dos R$ 3 milhões que ainda faltam dos ministérios para começar a recuperação das obras", diz Vidal.

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