MEC quer aumentar 'massa crítica'
Curitiba- O Ministério da Educação (MEC) tem aprovado apenas a instalação de cursos de mestrados e doutorados que tenham qualidade e possam servir para melhoria da qualidade dos docentes brasileiros e da pesquisa acadêmica. Somente neste ano, foram encaminhadas 502 propostas de novos cursos à Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), órgão ligado ao MEC. Dos projetos avaliados, 174 foram aprovados (106 para mestrado, 60 para doutorado e oito para mestrado profissional). As propostas são de 103 instituições brasileiras. O presidente da Capes, Jorge Guimarães, disse que os cursos recomendados vão possibilitar a formação de profissionais para aumentar a ''massa crítica'' do País.
''Dos 360 mil professores no ensino superior, só 32 mil atuam na pós-graduação. Os novos cursos vão incluir mais 1.500 pesquisadores neste grupo'', enumerou. O professor Flávio Zanette, do Departamento de Fitotecnica do Setor de Ciências Agrárias da Universidade Federal do Paraná (UFPR), trabalha para que os cursos de pós-graduação da instituição tenham cada vez mais qualidade. O pesquisador e cientista ficou famoso com os testes de clonagem de pinhas de araucária. Ele mesmo tem no currículo duas especializações (agricultura tropical e subtropical, numa universidade italiana), mestrado (fitotecnia, numa universidade do Rio Grande do Sul), doutorado (morfogenese e crescimento de árvores, numa universidade francesa) e pós-doutorado (biotecnologia vegetal, também na França).
''A graduação no Brasil é muito fraca. Os professores não conseguem ter conhecimentos aprofundados para debater com seus alunos'', avalia Zanette. Enquanto na Europa os alunos passam por 13 anos de estudo antes de chegar aos bancos escolares, no Brasil são 11 anos. A graduação apresenta quatro anos de formação básica e técnica, segundo o professor, mas não consegue transformar o aluno em profissional. Este papel acaba sendo adotado pelos cursos de especialização, mestrado e doutorado. ''Ele não é um profissional graduado com qualidade. Se ele partir para o ensino, imagine as consequências'', ponderou, lembrando que cada vez mais cursos de graduação são abertos no Brasil sem qualquer tipo de preocupação com a qualidade.
Zanette acredita que a avaliação da Capes é rígida o que garantiria a segurança dos cursos de pós-graduação brasileiros. ''O mestrado profissionalizante, por exemplo, é mais do que uma especialização. O intuito é preparar o aluno para a pesquisa e a reflexão científica. Depois do mestrado ou do doutorado, o professor aprende a falar com mais autonomia. Sem ser um professor de Deus que muito sabe e nada ensina. Os mestrados e doutorados treinam para a pesquisa e para a docência para que o professor desenvolva a habilidade de transmitir seu conhecimento'', explicou.(L.P.)





