MEC quer aluno integrado ao cotidiano
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quinta-feira, 16 de outubro de 1997
Agência Estado Brasília 
Arquivo FolhaOtimismoPara Paulo Renato, PCN é o que há de melhor em métodos pedagógicosNas dez cartilhas que vão tirar as dúvidas dos cerca de 600 mil professores da rede pública sobre o que e como devem ser ensinados os alunos da 1ª a 4ª série, o Ministério da Educação propõe uma nova abordagem para as disciplinas tradicionais, como Matemática e Ciências. O MEC quer que as escolas incluam a discussão de temas complementares que possam integrar o aluno a questões do seu cotidiano. Entre esses temas, chamados de transversais na proposta dos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN), estão Ética, Meio Ambiente, pluralidade cultural, Saúde e Orientação Sexual.
Os temas transversais devem ser incorporados às disciplinas já existentes para dar maior abrangência ao ensino, explicou uma das coordenadores dos novos parâmetros, Maria Cristina Pereira. Eles não constituem matéria específica. O tema Ética, por exemplo, pode ser discutido tanto no ensino de História quanto no de Matemática. Para Maria Pereira, os novos currículos farão com que a escola deixe de ser uma ilha, chata para o aluno, para estimular o conhecimento com base em fatos cotidianos. Hoje, a escola está alienada do mundo real e ainda vive com a cultura da decoreba, afirmou. Neide Nogueira, outra coordenadora das propostas, lembra que os parâmetros também incentivam o trabalho de equipe dos professores, o que, segundo ela, traz melhorias no desempenho global.
O tema que mais polêmica causou quando da elaboração das propostas foi Orientação Sexual, que deverá ser baseado em três eixos: corpo humano, relações de gênero e prevenção às doenças sexualmente transmissíveis.
O ministro da Educação, Paulo Renato, disse ontem que os novos parâmetros se equivalem, em importância, ao Fundo de Valorização do Magistério e Desenvolvimento do Ensino Fundamental, que estabelece a aplicação de R$ 315,00 por aluno/ano em 1998. Eles não são obrigatórios, mas os estados que os adotarem estarão utilizando uma síntese do que há de melhor no Brasil em métodos pedagógicos, afirmou. Segundo ele, em 80% das escolas haveria uma mudança substancial se adotados os novos critérios.
Estímulo - O Ministério da Educação dará às cidades que colocarem novos alunos no sistema de ensino R$ 126 por estudante. O objetivo é estimular a introdução na rede educacional dos 2,7 milhões de crianças de 7 a 14 anos de idade que estão fora da escola. Os recursos adicionais fazem parte das estratégias do programa Toda Criança na Escola.
Para o ano que vem, pelo Fundo de Desenvolvimento e Manutenção do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério, cada rede de ensino municipal ou estadual terá de investir no mínimo R$ 315 por aluno no 1º grau. O fundo é formado por 15% da arrecadação de estados e municípios e seu valor total no País deve ser de R$ 15 bilhões em 98. Do dinheiro do fundo, 60% se destinam a salários de professores e 40%, a investimentos no sistema educacional de 1º grau.


