MEC não negocia proposta de reajuste
Agora, ministério se vê às voltas com os servidores, que ameaçam parar hospitais e restaurantes universitários
Das agências
Arquivo FolhaImpassePaulo Renato prometeu apresentar proposta à Fasubra ontem, mas viajou e não manteve contato O Ministério da Educação adiou mais uma vez a negociação de uma proposta de reajuste salarial para os servidores técnico-administrativos em greve desde do dia 14 de abril. Em resposta, a categoria ameaça paralisar, a partir de hoje, hospitais e restaurantes que funcionam dentro das universidades. O MEC havia prometido apresentar uma proposta à Fasubra (entidade que reúne os sindicatos dos servidores) na reunião realizada ontem com o secretário de Educação Superior do Ministério, Abílio Baeta Neves. Após quase duas horas de reunião, os servidores saíram sem a proposta. A assessoria de imprensa do MEC informou que isso aconteceu porque o secretário não conseguiu conversar, por telefone, com o ministro Paulo Renato Souza (Educação), que está em Washington desde a madrugada de ontem. Ele deveria autorizar a apresentação da proposta à Fasubra. Até as 19h30, o ministro não havia feito contato.
O MEC está estudando a possibilidade de fixar como piso para os professores com mestrado ou doutorado o percentual de 60% da gratificação máxima oferecida a eles, segundo informou o presidente da Andifes (entidade que reúne os reitores das instituições federais), José Ivonildo do Rêgo.
Essa foi uma das sugestões apresentadas ao ministro Paulo Renato pela Andifes na quarta-feira. Esse percentual está garantido para os aposentados com titulação. O MEC prometeu apresentar uma resposta ao ofício dos reitores, com as sugestões, até segunda-feira, quando deverá enviar o projeto das gratificações dos docentes para o Congresso.
Estudantes da PUC se fantasiaram de palhaços para mostrar, segundo eles, ‘‘o circo em que se encontra a educação’’. Os manifestantes fecharam um trecho da Estrada Lagoa-Barra e protestaram contra o corte das bolsas de estudo e a aplicação do provão, que será realizado no domingo. Mais de cem alunos da UFRJ caminharam em protesto até o Palácio Guanabara. No final da tarde, estudantes e professores se reuniriam em assembléia no Instituto de Filosofia e Ciências Sociais (INFCS) para discutir o descaso com a educação no País.
Cerca de 500 estudantes universitários e secundaristas do Rio de Janeiro fizeram mais um dia de manifestação, na tarde de ontem, em diversos pontos da cidade. Eles foram às ruas protestar contra a política educacional do País. ‘‘Temos fome de educação’’, dizia um dos cartazes que empunhavam. A manifestação teve adesão de alunos das universidades federais, estaduais e da Pontifícia Universidade Católica (PUC), além de colégios públicos. Na UERJ, os alunos fizeram uma paralisação rápida por volta das 12 horas. No final da tarde, reuniram-se em frente ao Palácio Guanabara, sede do governo do Estado, no bairro das Laranjeiras, zona sul, e simularam o enterro do governador Marcello Alencar. Washington Pinheiro, do Diretório Central de Estudantes (DCE), disse que a falta de professores é o principal problema da universidade. Segundo Pinheiro, a turma de História da UERJ está sem aula de Filosofia da Educação há um mês.
Um grupo de cerca de 300 funcionários e estudantes da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) ocupou ontem, por volta das 15 horas, a delegacia regional do Ministério da Educação em Porto Alegre. ‘‘O prédio só será desocupado depois que nossas três principais reivindicações foram atendidas’’, afirmou um dos coordenadores da Associação dos Servidores da UFRGS (Assufrgs), Cláudio Garcia. Por volta das 18 horas o comando de greve decidiu abandonar o local. ‘‘Saímos porque já havíamos alcançado nosso objetivo’’, argumentou uma das integrantes do comando, Adriana Ramos.
A categoria reivindica a retirada do projeto de emenda constitucional 370, que trata da autonomia das universidades federais; a destinação de 1% do orçamento das universidade para capacitação dos servidores técnicos- administrativos; e o reenquadramento do plano de cargos e salários dos servidores universitários. ‘‘Este é o ponto mais difícil’’, avaliou Garcia.

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