Brasília, 12 (AE) - O Ministério da Educação (MEC) ainda não definiu estratégias para uma eventual transferência dos alunos de cursos que venham a ser fechados. "Não é simples, mas não teria cabimento prejudicar os estudantes", disse o secretário de Educação Superior do MEC, Abílio Baeta Neves. Alguns mecanismos já foram pensados, mas faltam respostas, por exemplo, para casos em que o curso desativado seja a única opção para os estudantes de uma cidade ou região.
A garantia da transferência está prevista na portaria que regulamenta a renovação do reconhecimento dos 101 cursos de graduação que obtiveram mau desempenho em avaliações do MEC. Segundo Abílio Baeta, porém, é pouco provável que os 101 cursos venham a ser desativados após a avaliação das comissões de especialistas. "Muitos deles não serão atingidos", previu.
O secretário de Educação Superior pensa até em apoiar a criação de cursos nas regiões atingidas pela avaliação mais rigorosa do MEC. "Podemos estimular que se criem opções de melhor qualidade nessas áreas desassistidas", afirmou, sem detalhar o tipo de ajuda que poderia ser oferecido.
Para o presidente do Conselho Nacional de Educação, Éfrem Maranhão, uma das soluções pode ser a adoção do regime semi-presencial, em que os estudantes têm aulas a distância. "O pior é deixar os alunos estudarem numa instituição ruim", argumentou Maranhão.
De acordo com Abílio Baeta, o MEC não pode obrigar as instituições a aceitar transferências, prática pouco aceita por muitas delas. Desde o ano passado, por exemplo, o ministro Paulo Renato Souza insiste para que as universidades federais diminuam a burocracia e facilitem as transferências. "O normal é que haja disponibilidade de vagas", afirmou Abílio Baeta.
Para diminuir a resistência das universidades federais - que relutam em aceitar estudantes de instituições com vestibulares menos rigorosos - o secretário propôs a realização de provas de seleção extraordinárias e a adoção até de aulas de reforço.
Em relação às universidades particulares, Abílio Baeta acredita que essas instituições têm interesse em aumentar o número de estudantes. "É do interesse delas maximizar suas vagas", observou. E quando o preço da mensalidade do novo curso for maior do que a do desativado? "O estudante vai preferir perder o dinheiro que já investiu ou pagar mais e entrar num curso melhor?", indagou o secretário.

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