MEC investe 1 bilhão no ensino médio
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quinta-feira, 25 de junho de 1998
Sônia Cristina Silva Agência Estado 
O Ministério da Educação (MEC) auxiliará as escolas na implantação, a partir do próximo ano, da reforma do ensino médio. O MEC fornecerá material explicativo sobre as mudanças no 2º grau e já está negociando com as editoras as adaptações dos livros didáticos. Em 1999, o governo planeja investir R$ 1 bilhão de um financiamento do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) - 50% de contrapartida brasileira - para ampliar a infra-estrutura das instituições de ensino e para capacitar professores.
A reforma do 2º grau, aprovada pelo Conselho Nacional de Educação (CNE) e homologada terça-feira pelo ministro Paulo Renato Souza, prevê o ensino das disciplinas tradicionais de forma interligada, exigindo integração entre os professores de diversas áreas. As escolas terão liberdade para montar seus próprios currículos, mas pelo menos 75% da carga horária de 800 horas/aula anuais deve incluir três áreas básicas de conhecimento: códigos e linguagens, ciências da natureza e da matemática e ciências humanas.
O secretário de Ensino Médio e Tecnológico do MEC, Ruy Berger, acredita que somente em cinco ou seis anos a reforma estará consolidada no País. As editoras, inclusive, prevêem que, em três anos, o material didático estará adaptado, afirmou. Berger afirma que a liberdade das escolas em dividir os três anos de cursos em série ou módulos impedirá a edição de livros para cada uma das três séries, como acontece hoje. A tendência é que editoras ofereçam livros para o ensino médio, onde estarão os conceitos básicos, que serão tratados em sala de aula de forma diferente de acordo com o nível no qual se encontra o aluno.
Até o final deste ano o MEC enviará às escolas modelos para elaboração dos currículos e dicas sobre como a escola poderá fazer, por exemplo, a interligação de disciplinas. A forma como se ensina vai mudar, porque o que vai interessar é estimular o aluno a interligar conceitos com sua vida prática e estimular a criatividade e o raciocínio , explicou.
Nos próximos cinco anos, o ministério quer investir até R$ 5 bilhões a partir de empréstimo do BID para melhoria do 2º grau. O dinheiro poderá ser usado para construir escolas ou para implantar, por exemplo, sistema de ensino a distância em locais onde o número de alunos não justifica a construção de escolas, informou Berger.


