Brasília, 08 (AE) - Por causa da desvalorização cambial e consequente aumento de passagens aéreas internacionais, o Ministério da Educação (MEC) decidiu tornar mais rígidos os critérios para concessão de auxílio para alunos brasileiros participarem de seminários e eventos científicos em outros países. No ano passado, foram gastos US$ 600 mil dólares em 597 benefícios. Entre fevereiro e março deste ano, a Fundação Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) já cortou 15 auxílios.
"Vamos dar o auxílio só para os casos em que a participação brasileira seja relevante em seminários diferenciados", explicou hoje o secretário de Ensino Superior do MEC, Abílio Baeta Neves. Segundo ele, a alteração no programa já vinha sendo estudada, apesar da crise, mas admite usar a economia obtida nos auxílios para repor as perdas em real de recursos para concessão de bolsas de estudo no exterior.
Baeta Neves argumentou que a comunicação via Internet torna bastante viável o contato entre colegas de países diferentes, sem necessidade de deslocamento. Ainda segundo o secretário, apesar dos cortes em 15 auxílios, outros 52 foram concedios, entre janeiro e março. "Retomaremos o fluxo em abril, mas já com regras mais rígidas", informou Baeta Neves.
O desequilíbrio orçamentário provocado pela desvalorização do real ainda não pode ser calculado, mas o secretário já adiantou que será imprescindível suplementar o orçamento aprovado da Capes, de R$ 42 milhões para manter 1.422 bolsistas no exterior. Mas voltou a afirmar que não haverá qualquer prejuízo para bolsistas. "Já pagamos as mensalidades de todos eles até abril", avisou.
A intenção do governo é a de garantir, no mínimo, o mesmo número de bolsas no ano passado. Segundo Baeta Neves, foram suspensas no mês passado 13 bolsas de doutorado sanduíche (quando parte dele é feito no exterior) e 27 de pós-doutorado de alunos que ainda não haviam recebido a carta informando a aprovação. Outros 128 bolsistas, no entando, viajaram normalmente de janeiro a este mês, porque já tinham a carta de concessão. Universidades - Ainda esta semana, o MEC decidirá se vai repassar às universidades R$ 75,5 milhões em emendas feitas ao orçamento da Secretaria de Ensino Superior. A medida tem o apoio de Baeta Neves, mas ainda depende do ministro Paulo Renato Souza. Outros R$ 5 milhões em emendas destinam-se aos hospitais universitários.

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