MEC faz avaliação inédita do Ensino Médio no País
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sábado, 29 de agosto de 1998
Fernando Rossetti Agência Folha 
O MEC (Ministério da Educação) realiza hoje à tarde a primeira edição de uma avaliação que, se cumprir o que promete, deverá se tornar a principal alternativa do país no século 21 ao já tradicional vestibular.
O Exame Nacional do Ensino Médio, ou simplesmente Enem, segue a tendência internacional de se avaliar não mais as informações que uma pessoa conseguiu acumular na escola, mas as habilidades e competências que adquiriu.
A prova, que terá a duração de quatro horas, será composta de 63 questões objetivas (múltipla escolha) e uma dissertação.
Não tem perguntas do tipo O que é? ou Qual é?, é tudo proposição de problemas, afirma a coordenadora geral do Enem, Maria Inês Fini. Não tem divisão por disciplina, acrescenta.
O ideal de prova que Fini imagina é indicativo do que os 157 mil estudantes inscritos para o Enem deverão encontrar a partir das 13 horas: Espero evoluir para uma prova com tema único, por exemplo, em torno da
água.
É um tema que amarra poesia, literatura, biologia, física, química, matemática. São exatamente esses temas que transversam toda a nossa vida. Porque a natureza se faz dessa forma transversal, afirma.
O exame de hoje é um marco para várias áreas da educação brasileira. As escolas de ensino médio (até 1996 chamado pela lei de 2º grau) e mesmo de ensino fundamental (antigo 1º grau) afirmam que o Enem será uma sinalização daquilo que o MEC espera que elas ensinem.
A Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro já reservou 20% de suas vagas de 1999 para candidatos bem colocados no exame. Outras universidades querem ver a prova para decidir se seguem o mesmo caminho.
Os conselhos estaduais e municipais de Educação esperam o Enem para começar a regulamentar as Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Médio, editadas este ano pelo Conselho Nacional de Educação. Tudo isso é decorrência da nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, a LDB, aprovada pelo Congresso em dezembro de 1996.
A LDB anterior era de 1961. Foi essa nova lei que acabou com a determinação de que as faculdades e universidades só poderiam selecionar candidatos por meio de uma prova de vestibular.
Muitas instituições de ensino superior já começam a testar formas alternativas de seleção - a experiência da Universidade de Brasília é modelar. No setor privado, onde a oferta de vagas anda bem superior à demanda, há faculdades que já não fazem mais nenhum tipo de avaliação.
Apesar da responsabilidade que recai sobre o Enem - que, além de tornar concretas as novas exigências do MEC, é a primeira avaliação nacional desse gênero no país - o exame teve um começo falho. A divulgação quase não ocorreu - o Colégio Nossa Senhora das Graças, de São Paulo, por exemplo, recebeu os cartazes após o encerramento das inscrições.
Muitas agências do Banco do Brasil, onde deveriam ser feitas as inscrições, nem sequer ficaram sabendo do que se tratava. O resultado é que, nessa primeira edição, apenas 10% do público estudantil potencial fará a prova (o país tem cerca de 1,5 milhão de alunos na 3ª série do ensino médio). Isso sem contar que o exame também se dirige a trabalhadores que querem demonstrar seu nível de conhecimento na hora de disputar um emprego.


