Arquivo FolhaBom sinalO ministro Paulo Renato Souza está otimista com índices de rejeição sobre o material didático que, segundo ele, caíram em relação ao ano passado Em um país de 19 milhões de analfabetos como o Brasil, a maioria das cartilhas que ensinam a ler e escrever é rejeitada pelo Ministério da Educação. A avaliação dos livros didáticos que será utilizada no próximo ano letivo por crianças da 1ª a 4ª séries das escolas públicas excluiu ou não recomenda quase 80% dos títulos de alfabetização propostos pelas editoras. Nenhuma cartilha recebeu a maior classificação, de três estrelas. ‘‘Isso é péssimo, e levará a toda uma discussão sobre a formação dos professores e qualidade do material’’, afirmou Iara Prado, Secretária de Ensino Fundamental do MEC.
Foi a primeira vez que a avaliação dos livros didáticos feita pelo MEC incluiu as cartilhas de alfabetização. Apenas três delas receberam classificação duas estrelas, e nove receberam uma. Trinta títulos foram classificados como não-recomendáveis (contém deficiência, mas pode ser utilizado), e outros nove foram excluídos. A coordenadora da análise, Magda Soares, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), mostrou-se surpreendida pelo fato de que, em uma primeira análise, 12 títulos tenham merecido duas ou uma estrela. ‘‘Esperava pior situação’’.
Para a secretária de Ensino Fundamental, porém, o resultado foi negativo. ‘‘É muito ruim, porque a alfabetização é a base, e a criança entra no aprendizado da leitura e escrita sem condições ideais’’. Para a secretária, os resultados da avaliação conduzem a duas conclusões: o professor de alfabetização é mal formado pelos cursos de magistério e as editoras, pouco exigidas, não se preocupam com o material didático. ‘‘Estamos justamente iniciando uma discussão com os estados sobre o currículo de magistério para mudar a situação’’, explicou.
De um total de 454 títulos de Matemática, Língua Portuguesa, Estudos Sociais e Ciências avaliados pelo MEC para compor o guia do livro didático, foram excluídos 76 livros. Eles representam 17% do total, e foram banidos do guia por apresentar erros graves, indução a preconceitos ou por estar desatualizados.
Apenas 167 livros didáticos, ou 36% do total, mereceram receber estrelas (de uma a três) de classificação, mas somente 19 títulos (4%) foram ‘‘recomendados com distinção’’, recebendo três estrelas. Outros 211 (47%), embora não recomendados por deficiências, fazem parte do guia. Cinquenta e sete títulos nem sequer foram avaliados pelas comissões de especialistas do MEC, a maioria por não oferecer a possibilidade de reutilização.
Sem considerar as cartilhas de alfabetização (51 foram analisadas pela primeira vez este ano), a soma de livros excluídos e não recomendados (sem estrelas) do guia divulgado ontem é menor se comparada à avalição realizada em 1996 para este ano letivo: 77% contra 61%. Para o ministro Paulo Renato Souza, é sinal de que está havendo melhoria na qualidade do material, apesar do grande número de publicações sem classificação. ‘‘As novas edições estão melhores’’, argumentou.
O coordenador de avaliação de Ciências, Nélio Bizzo, da Universidade de São Paulo (USP), discorda quando o assunto é sua especialidade. Apenas a série de ciências Descobrindo o Ambiente (três publicações) de uma mesma editora recebeu a distinção três estrelas. Apenas um título recebeu duas estrelas, e 15 uma estrela. Setenta foram não-recomendados ou excluídos. ‘‘Por questões mercadológicas, professores de outras áreas, como português, foram chamados a escrever os livros de Ciências, quando eles teriam de ser produzidos por especialistas’’, avaliou Bizzo.
Três estrelas foram concedidas também a apenas dois títulos de Estudos Sociais (Você e sua Comunidade e A Escola, a Casa), a seis de Matemática (coleções Matemática com o Sarquis e Novo Caminho) e a oito de Português.
A listagem dos livros, com a classificação, está disponível na Internet, pelo endereço htpp://www.mec.gov.br (clique em notícias). As escolas particulares que desejem dispor de um guia poderão obter no MEC.

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