Rio, 15 (AE) - O ministro da Educação, Paulo Renato Souza, admitiu hoje, no Rio, que está estudando proposta para criar cursos técnicos nas universidades federais e ampliar ofertas do turno da noite, aumentando em 20% o número de vagas nos cursos de graduação e 25% na pós-graduação. As idéias foram discutidas hoje em encontro com acadêmicos, reitores e secretários na Academia Brasileira de Ciências (ABC), no Rio. "As universidades também devem aumentar a participação em programas específicos na área do segundo grau e do ensino técnico, desenvolvidos em parceria com o governo estadual", afirmou o ministro.
Paulo Renato defendeu a criação de cursos técnicos como forma de combater o desemprego. "A contribuição que a área da educação pode dar é oferecer profissionais melhor preparados", disse, ressaltando que não foi firmado compromisso com metas e prazos. "Isso é uma sugestão que não vem das universidades e sim da Academia Brasileira de Ciência e ainda vai ser estudada". Capes - No encontro também foram discutidas as verbas de bolsas da Fundação Coordenação de Aperfeiçoamento do Pessoal do Ensino Superior (Capes). Segundo Paulo Renato, este ano a fundação tem um dos melhores orçamentos para a área, só podendo ser comparado com a verba de 1997. "Estamos recuperando as perdas de 1998, quando foram cortados R$ 40 milhões das verbas de bolsas e R$ 25 milhões de fomento (projetos especiais)", afirmou.
O presidente da Capes, Abílio Afonso Baeta Neves, garantiu que apesar da redução da verba do passado o número de bolsas foi mantido. "Oferecemos 22 mil bolsas, mas tivemos que fazer economia em outras áreas, como no Programa de Periódicos, que foi garfado em R$ 15 milhões", disse Baeta. Este ano a verba para bolsas é de R$ 435 milhões e de R$ 25 milhões para fomento.
Baeta afirmou também que não houve suspensão de bolsas com a desvalorização do real. A alternativa para a crise, adotada pela Capes, foi não conceder novas bolsas durante os meses de fevereiro e março. "O dólar foi a R$ 2,16 e só em passagens para o exterior eu teria comprometido uma parcela enorme do orçamento anual", explicou. A concessão de novas bolsas foi regularizada a partir de primeiro de abril, segundo Baeta.

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