MEC espera dobrar número de alunos matriculados sem aumentar o de professores com a autonomia
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quarta-feira, 04 de agosto de 1999
Por Demétrio Weber 
Brasília, 05 (AE) - Às vésperas de o governo enviar ao Congresso o projeto de autonomia para as universidades federais, o ministro da Educação, Paulo Renato Souza, declarou hoje que considera possível dobrar o número de alunos matriculados sem aumentar o de professores e funcionários nem a infra-estrutura das instituições. "É claro que não vou dizer que isso seja possível amanhã, porque os professores estão sobrando numa área e faltando noutra", disse Paulo Renato. "Mas, com a autonomia, estamos buscando induzir as universidades a prestar mais serviços com os recursos que têm". Embora discorde radicalmente do projeto de autonomia apresentado pelo governo, o presidente do Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes-Sindicato), Renato Oliveira, concorda parcialmente com a avaliação do ministro. "É possível aumentar o número de alunos, mas é evidente que existem resistências dentro da universidade", admitiu Oliveira. Segundo Oliveira, isso poderia ser feito com a ampliação dos cursos noturnos e o combate à evasão. "É um disparate haver turmas de 40 alunos em que apenas 6 se formam", observou. Mas, para ele, dobrar o número de alunos sem novos investimentos "é um absurdo". Até porque a infra-estrutura em muitas instituições é precária, principalmente em termos de bibliotecas e laboratórios. "Há casos de bibliotecas que não funcionam à noite, apesar de haver cursos noturnos", disse o presidente da Andes.
Paulo Renato informou que, nas universidades federais, há um professor para cada oito alunos. "Dá para chegar a 16 por 1", afirmou ele. Nas 52 instituições federais de ensino superior estavam matriculados, no ano passado, 392,8 mil estudantes. Andes - A entidade representativa dos professores enviou a Paulo Renato documento em que contesta a constitucionalidade do projeto de autonomia proposto pelo governo. "O assunto está sendo analisado por nossa assessoria jurídica e vamos apresentar uma resposta formal à Andes", informou o ministro, descartando a possibilidade de alterar o texto por causa das críticas dos professores.


