MEC deve reformar o ensino de 2º grau
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quarta-feira, 27 de novembro de 1996
Agência Estado, 
O Ministério da Educação está estudando uma proposta de reforma no ensino de 2º grau. O currículo, considerado defasado e enciclopédico, será modificado. O aluno terá condições de, ao longo do curso, optar por disciplinas que mais se aproximem de suas aptidões. A intenção é reverter a situação do ensino médio brasileiro, considerada trágica pelo próprio MEC. A maioria dos alunos que conclui o 2º grau no Brasil apresenta graves deficiências em Língua Portuguesa e Matemática.
As mudanças, contudo, não deverão ser aplicadas no próximo ano. Ontem, o ministro Paulo Renato Souza explicou que as propostas de reforma do ensino médio ainda estão em estudo. As mudanças do currículo, típico dos anos 50, já estariam sendo analisadas por especialistas. Em fevereiro ou março discutiremos com os secretários de Educação, informou o ministro. Também as modificações no curso serão discutidas inicialmente com os secretários estaduais de Educação, para então serem submetidas ao Conselho Nacional de Educação, no final do próximo semestre.
A chamada diversificação do 2º grau é uma espécie de pré-profissionalização. Todos os alunos entrariam na primeira série do 2º grau cursando um núcleo comum de cinco ou seis disciplinas. Ao longo dos anos, teriam a chance de se fixar em matérias ligadas a seus interesses profissionais futuros. Isso, sem prejudicar sua formação geral, salientou Paulo Renato. O currículo, adiantou, deve estar voltado para o mundo moderno, da praticidade e informatização.
De acordo com o relatório do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (Saeb) divulgado anteontem pelo MEC, o 2º grau das escolas brasileiras produz universitários e profissionais deficientes, conforme avaliação do próprio ministro. Apenas 1% de todos os alunos que concluem o curso demonstram um grau mais elaborado de percepção do uso da linguagem e conseguem comparar textos de natureza diversa. Em Matemática, apenas 3,7% dominam as operações com números decimais, efetuam expressões com fração envolvendo as quatro operações ou calculam áreas de figuras geométricas com a eficiência esperada.
Mas Paulo Renato acredita que o mau desempenho do ensino médio também pode ser explicado pelo fracasso do ensino de 1º grau. A alta taxa de repetência no ensino fundamental, sustentou, reduz a produtividade de alunos, que acabam entrando no 2º grau em idade avançada. Apenas a metade dos alunos que entram na primeira série de 1º grau chega a concluir o curso.


