São Paulo- Quem disse que só os maus alunos precisam de atenção? Pela primeira vez, os pequenos ''gênios'' ganharão tratamento especial do governo. O Ministério da Educação acaba de liberar perto de R$ 2 milhões para que, ainda neste semestre, cada Estado crie pelo menos um centro de apoio aos alunos superdotados das escolas públicas.
A nova política se justifica. Especialistas estimam que até 5% da população tenha altas habilidades acadêmicas. Apesar do número considerável, muitos talentos se perdem pelo caminho por falta de incentivo. A maioria dos professores não está preparada para lidar com eles.
O Censo Escolar de 2004 apontou só 2.006 superdotados nas escolas públicas e particulares do País, o que não chega nem a 0,005% dos 43 milhões de alunos da educação básica regular (da 1 série do ensino fundamental ao 3º ano do ensino médio). Como são os colégios que respondem ao questionário, esse percentual ínfimo leva à conclusão de que os professores não conseguem sequer identificar um superdotado na sala de aula.
O superdotado é, em poucas palavras, uma pessoa que se destaca em alguma área de conhecimento. Como sabe mais e aprende mais rapidamente que os colegas, esse aluno muitas vezes se desinteressa da escola. Professores e pais normalmente confundem com déficit de atenção e hiperatividade. O rótulo de gênio nem sempre serve porque ele pode ser brilhante numa única área e não ir tão bem nas outras.
''É comum que ele mude de escola sem nem saber o motivo'', explica a professora Valéria Sperandio Rangel, uma das coordenadoras do programa do MEC.
Foi o que aconteceu com Giovanna Oliveira, então com 4 anos. Os pais eram sempre chamados na escola por causa do mau comportamento. ''Toda semana tinha uma reclamação'', lembra a mãe, Cláudia Abrantes Oliveira. ''Certa vez ela ficou tão entediada que conseguiu mobilizar todos os coleguinhas e levá-los para o parque da escola. E isso foi no meio da aula. A professora ficou revoltada.''
Com tantos problemas, a mãe decidiu tirá-la do colégio. Na nova escola, a menina passou por testes psicológicos. Foi então que Cláudia descobriu que tinha um pequeno talento em casa. Hoje com 9 anos, Giovanna se prepara para começar a 4 série. Está um ano adiantada porque não precisou fazer a 1 série. Não estuda para as provas - para ela, basta prestar atenção nas aulas. /

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