Arquivo Folha‘‘Razoável’’Paulo Renato: ‘‘O resultado demonstra que o sistema tem qualidade regular’’ Dentre os 616 cursos superiores de Direito, Engenharia Civil e Administração avaliados pelo Exame Nacional de Cursos (ENC), o ‘‘provão’’, realizado pela primeira vez em outubro do ano passado, apenas 71 obtiveram o conceito A, ou seja, 11,5% do total, o que os inclui entre os de melhor média. Cento e setenta ganharam o conceito D e E - 27,5% do total. As instituições públicas federais de Administração e Engenharia e as estaduais de Direito tiveram os melhores desempenhos no ENC. Apesar de as notas médias dos alunos terem ficado em torno de 50 em uma escala que ia até 100, o ministro da Educação, Paulo Renato Souza, considerou, ontem, o resultado ‘‘bastante razoável’’.
Alguns cursos, como o de Engenharia da Unicamp, acabaram recebendo o conceito E não como resultado de uma avaliação negativa, mas pela reduzida presença de formandos nas provas. O ministro explicou ontem que o MEC não divulgaria notas absolutas. Segundo ele, foi tomado o conjunto de notas de cada um dos cursos - incluindo os zeros atribuídos aos que entregaram a prova em branco - para o cálculo das médias. Os cursos com melhores médias receberam conceito A, mas mesmo estas não atingiram 100% da escala de avaliação. As 18% médias seguintes ganharam o conceito B, e as outras 40% ficaram com conceito C. As piores médias foram incluídas nos conceitos D e E.
Dos 212 cursos públicos avaliados, 29 federais, 15 estaduais e dois municipais receberam conceito A. Das 404 particulares, 25 tiveram a mesma conceituação. ‘‘Os maiores percentuais de conceito A ficaram entre as públicas, mas as privadas também apresentaram resultado significativo’’, afirmou Paulo Renato. Trinta e quatro cursos federais, 13 estaduais, dez municipais, e 113 privados ganharam conceituação D e E. A Região Sul apresentou o melhor resultado (proporção de conceitos A e B em relação ao número de cursos) nas três áreas avaliadas, e, ao contrário do que se possa imaginar, o Nordeste não ficou em último lugar. Teve 11,7% do total dos conceitos A e B, contra 8,6% do Centro-Oeste.
Foram avaliados 24.905 graduandos em administração, que responderam a 30 questões objetivas e dez discursivas. A nota máxima da prova foi de 85,5 em uma escala de zero a 100. A média das notas na parte objetiva ficou em apenas 44,7. Dentre os 26.261 graduandos de direito avaliados no Exame Nacional de Cursos, chegou-se a encontrar a nota 100. A média das notas na prova objetiva de 20 questões ficou em 59,2 na escala que vai até 100. No caso de engenharia, a nota máxima verificada entre os 4.360 graduandos foi de 86 e a média, de 24,5.
Para o ministro da Educação, o resultado demonstra que o sistema tem qualidade regular, levando-se em conta que a prova foi feita para ser aplicada em uma grande massa de alunos. ‘‘O que preocupa é a heterogeneidade do ensino, uma vez que um grupo se destaca claramamente entre os melhores conceitos e outro bem abaixo da média’’, disse ele, comparando os cursos A e B dos que receberam D e E.
O ministro lembrou,ainda, que algumas instituições acabaram tendo a avaliação prejudicada pela falta de presença de alunos pelo boicote ou por tumultos, como aconteceu no Rio de Janeiro. ‘‘Mas quero lembrar que esta não é uma avaliação final; os alunos que estiverem terminando os cursos de veterinária, engenharia química e odontologia vão fazer o 2º Exame Nacional de Cursos.’’
Boicote - A União Nacional dos Estudantes (UNE) considera que a campanha de boicote liderada pela entidade inviabilizou o provão. Para o presidente da UNE, Orlando Silva Júnior, 25, o boicote dos alunos das principais universidades públicas do país obrigou o MEC a apresentar os resultados do exame em forma de conceitos, sem criar um ranking de universidades.
O ministro da Educação, Paulo Renato Souza, discorda. ‘‘O boicote se restringiu a um número muito pequeno de alunos e de faculdades. As universidades que ficaram sem conceito por causa do tumulto terão uma nota no próximo ano e nos anos seguintes. Portanto, o processo de avaliação não está nada comprometido’’, disse. Cerca de 17,6% do total de 59,3 mil alunos inscritos no provão boicotaram o exame. Ao todo 10,4 mil graduandos dos três cursos avaliados faltaram ao exame ou entregaram a prova em branco.Para a UNE, o principal objetivo do provão era montar um ranking que orientaria os investimentos do governo para as universidades consideradas ilhas de excelência. A entidade pretende encaminhar ao governo uma proposta para que o MEC suspenda a realização do provão neste ano, marcado para o dia 29 de junho. Se não for aceita, a intenção é realizar um boicote maior do que o do ano passado. (Leia mais sobre o assunto no caderno Folha Paraná).

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