Grupos de professores universitários ainda tentavam ontem, no Congresso, alterar o projeto de lei de gratificação para os docentes da Instituições Federais de Ensino Superior (Ifes) do Ministério da Educação. O comando nacional de greve obteve o apoio do presidente da CUT, Vicente Paulo da Silva, o ‘‘Vicentinho’’, que acusou o governo de desrespeitar os professores. ‘‘Isso está influenciando na queda de Fernando Henrique nas pesquisas’’, disse ele.
Para o ministro da Educação, Paulo Renato Souza, o movimento está dividido e enfraquecendo. ‘‘Vários departamentos voltarão a trabalhar segunda-feira’’, garantiu o ministro da Educação, citando as Universidades Federais de Minas Gerais, Rio de Janeiro e de Brasília (UnB). A greve completa hoje 80 dias.
O presidente da Associação Nacional dos Dirigentes das Ifes, reitor José Ivonildo do Rego, disse que uma parcela dos professores prefere ter a gratificação a ficar sem alternativa. A presidente da Associação Nacional dos Docentes (Andes), Maria Cristina de Morais, afirmou que nenhuma assembléia estadual votou pelo fim da paralisação.
O presidente da CUT não descartou a hipótese de outras categorias iniciarem protestos. Ele condenou, ainda, o fato de o governo não ter apresentado qualquer proposta para os servidores técnico-administrativos, que continuam acampados em frente ao MEC.
A tarde foi de negociações com o relator do projeto de gratificações, deputado José Jorge (PFL-PE). A atual direção da Andes queria a retirada do texto e a negociação de nova proposta. O presidente eleito da Andes, Renato de Oliveira, que assume no dia 26, defendia a exclusão do artigo que condiciona o valor da gratificação ao resultado da avaliação de desempenho do professor.
O projeto de lei que cria gratificação para os professores de universidades federais enfrenta problemas no Congresso. Pelo segundo dia consecutivo, a negociação da proposta salarial feita pelo governo terminou em impasse. O projeto terá de ser votado pela Câmara e pelo Senado até a próxima semana para entrar em vigor antes das eleições. Além do recesso parlamentar a partir de 30 de junho, a Lei Eleitoral proíbe a concessão de aumentos salariais três meses antes das eleições O projeto terá de ser votado e sancionado pelo presidente da República até o dia 4 de julho.
Ontem aumentou para 16 o número de professores em greve de fome. Depois de mais de 48 horas de protesto, seis deles já recebiam soro de reidratação oral. Estavam fracos, mas se levantaram para receber a visita do presidente da CUT.

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