MEC anuncia mudanças nas diretrizes do ensino médio
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quarta-feira, 28 de novembro de 2018
Isabela Fleischmann <br> Reportagem Local 

O MEC (Ministério da Educação) homologou, no último dia 20, novas diretrizes para o ensino médio. A Seed (Secretaria Estadual de Educação) afirma que as mudanças só devem acontecer a partir do ano letivo de 2020 porque dependem da aprovação da BNCC (Base Nacional Curricular Comum). Embora a reforma do ensino médio tenha sido sancionada no ano passado, a BNCC para essa fase ainda não foi concluída.
Segundo o MEC, a carga horária do ensino médio será ampliada e dividida em uma parte que segue a BNCC e outra de "itinerários formativos". É uma forma de vocacionar o ensino, separando-o em linguagens e suas tecnologias, matemática e suas tecnologias, ciências da natureza e suas tecnologias, ciências humanas e sociais aplicadas e formação técnica e profissional. A pasta afirma que "o conteúdo das diretrizes foi elaborado após dois anos de intensos trabalhos e debates, paralelamente às discussões sobre a etapa do ensino médio da BNCC".
De acordo com o ministro da Educação, Rossieli Soares, o estudante terá de fazer ao menos um itinerário formativo. Também será possível modificar o itinerário ao longo do ensino médio. Pela norma, mesmo os municípios pequenos terão de ofertar ao mínimo duas opções de ensino vocacionado, que terão de ser estruturados seguindo os parâmetros de investigação científica, processos criativos, medicação e intervenção sociocultural e empreendedorismo.
A partir de agora as redes de ensino já devem organizar maneiras para ofertar o novo modelo de ensino médio. Segundo o MEC, o CNE (Conselho Nacional de Educação) recebeu mais de 90 contribuições de várias áreas educacionais de todo o Brasil durante o período de consulta pública, encerrado em outubro do ano passado.
Os estudantes Luiz Marques, 18, e Victor Jacomini, 17, que cursam o primeiro ano do ensino médio no Colégio Vicente Rijo, no centro de Londrina, aprovaram a opção por itinerários formativos. "Acho bom. Eu quero fazer biomedicina, é melhor ter mais aulas de biologia para focar melhor no vestibular", afirmou Marques. Para o aluno, o modelo de ensino médio hoje "não está ruim, mas pode melhorar". Já Jacomini tem mais afinidade com a área de exatas, embora queira cursar educação física. "Eu optaria por mais matemática, não que eu goste, mas sou bom", disse. Ele prefere a opção dos itinerários formativos porque, segundo o estudante, "hoje as matérias são jogadas em cima das nossas costas e temos que carregar".
De acordo com a Seed (Secretaria Estadual de Educação), a partir de 2019, as escolas piloto distribuídas pelo Paraná terão ampliação de carga horária de 800 para mil e para 1.400 horas anuais. Também participarão de um Programa de Avaliação de Impacto vinculado ao MEC, conforme uma das mudanças trazidas pela nova configuração do ensino médio. Para a flexibilização curricular no modelo dos itinerários formativos, a Seed afirmou que precisa aguardar orientação do MEC. "As diretrizes propostas pelo MEC, bem como a BNCC do ensino médio, quando aprovadas, serão analisadas e submetidas à apreciação da comunidade escolar e professores para a construção de uma proposta pedagógica que seja adequada à realidade paranaense. Só após a aprovação da BNCC do ensino médio é que a secretaria poderá detalhar a forma com que as novas diretrizes serão adotadas no Estado, o que deve ocorrer apenas a partir do ano letivo de 2020", afirmou a Seed, por meio de nota.
ENEM
O Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) de 2019 ainda não passará por alterações, mas, segundo a nova diretriz, o exame continuará sendo executado em dois dias, "sendo que o primeiro será para as habilidades e competências previstas na BNCC", conforme explicou o ministro. No segundo dia, de áreas específicas, o estudante terá de optar por um dos itinerários formativos, "especialmente as quatro áreas de conhecimento, podendo ainda ter o referencial e itinerário técnico que também fará parte", disse.
Como a mudança no exame depende da aprovação da nova base para o ensino médio, a aplicação do novo modelo de Enem somente será em 2021, conforme alegação do MEC.


