MEC adia envio de projeto de autonomia ao Congresso
Agência Estado
De Brasília
O governo desistiu de enviar esta semana ao Congresso o projeto de autonomia das universidades federais. A decisão foi anunciada ontem pelo ministro da Educação, Paulo Renato Souza, a dez reitores chamados a Brasília para discutir o assunto. Em nota divulgada no fim da tarde, a assessoria de Imprensa do Ministério da Educação (MEC) divulgou que o governo vai aguardar algumas semanas antes de enviar o texto ao Legislativo. O ministro espera que, nesse período, com a ampliação do debate nas universidades, sejam apresentadas sugestões que aperfeiçoem o projeto, registra a nota oficial.
Segundo o documento, o ministro identificou que há, ainda, muita desinformação e incompreensão sobre a proposta. A decisão foi bem recebida pelos reitores e diretores da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes). É o que pedimos desde o início, comemorou o presidente da entidade, Rodolfo Pinto da Luz. Mas esperamos que o ministro acolha as sugestões. Segundo o reitor, o projeto só deve ser enviado ao Congresso quando houver menor resistência. Isso passa pela alteração da proposta de financiamento das 39 universidades federais, principal ponto de discórdia entre os reitores e o governo no projeto de autonomia.
A Andifes defende a subvinculação, para as instituições de ensino, de 75% dos 18% do Orçamento da União que devem ser investidos em educação. O governo acena com a fixação de um piso anual, tendo como base o orçamento de 1997, acrescido do valor necessário para pagar a Gratificação de Estímulo à Docência (GED) - concedida aos professores após a greve no ano passado. Paulo Renato, porém, já deixou claro que a subvinculação orçamentária é descartada pela equipe econômica.
Amanhã, os reitores estarão reunidos para discutir a autonomia universitária. O secretário de Educação Superior do MEC, Abílio Baeta Neves, deve comparecer ao encontro. O projeto é dúbio em relação ao plano de carreira, disse Rodolfo da Luz. Segundo ele, os reitores entenderam que cada universidade terá liberdade para definir seus planos de cargos e salários, mas há controvérsias. A Andifes defende a fixação de um piso nacional de salários.





