Folha– O senhor é denunciado por associação ao tráfico de drogas e por formação de quadrilha. Conversas telefônicas provariam isso.
Sousa– Aparecem várias ligações entre mim e meus clientes. Mas nunca falo sobre drogas com ninguém. Tem uma conversa que falo que preciso de uma ‘‘correria’’ até Joinville. A polícia acha que era para que alguém entregasse droga para algum cliente meu. Isso não existe. Correria significa que eu precisava de um serviço de motoboy. Eles (policiais) me incriminaram. Mas não existem provas nos autos. Podem existir indícios, mas nada que realmente me incrimine. Acham estranho a palavra correria. Me chamem e eu
esclareço.
Folha– Mas não foi só por isso que pediram sua prisão. O senhor tinha relações de amizade com quase todos os presos. Inclusive com traficantes da Vila Nossa Senhora da Luz...
Sousa– Minha relação era profissional. Eles me ligavam muito e até pediam conselho muitas vezes. Mas era ligação profissional. Uma vez que se advoga para a Vila, é muito difícil deixar de advogar. Não funciona assim. Estou passando dificuldades de momento. Mas é isso. Acho que como advogado eu tinha que mostrar que meus clientes –acusados de tráfico– eram inocentes. E consegui fazer isso em vários processos criminais...
Folha– O que pretende fazer quando puder voltar para Curitiba?
Sousa– Vou processar todos que violaram minha vida dessa forma. Vou processar pelo abuso de autoridade. (L.P.)

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